Espiões russos estão fora de controle, diz novo livro

quinta-feira, 14 de outubro de 2010 14:51 BRT
 

Por Michael Stott

LONDRES (Reuters) - Os serviços de segurança russos mudaram muito desde o final da era soviética. Estão muito piores. É essa a opinião de Andrei Soldatov e Irina Borogan, dois jovens jornalistas russos que acabam de publicar um livro sobre o FSB, o principal sucessor da poderosa KGB soviética.

"A KGB era uma organização muito poderosa, mas estava sob o controle rígido do Partido Comunista", disse Soldatov à Reuters numa entrevista em Londres, onde ele e Borogan estavam promovendo seu livro em um seminário.

"Com o FSB, não há controle do partido, nem controle do Parlamento. O que temos é um serviço secreto incontrolável."

O fato de os serviços de segurança russos de hoje não se reportarem a ninguém, aliado a seus métodos cada vez mais brutais -- justificados por uma guerra interna sangrenta contra a militância islâmica -- os tornam mais semelhantes à temida mukhabarat (polícia secreta) do mundo árabe que às velhas agências de espionagem soviéticas, acrescentou a co-autora Borogan.

O livro dos jornalistas, "The New Nobility" (A Nova Nobreza), deve seu título à frase proferida pelo ex-diretor do FSB Nikolai Patrushev em um discurso no final de 1999, celebrando o retorno do poder dos espiões, liderados pelo ex-agente da KGB Vladimir Putin, que na época estava prestes a tornar-se presidente.

Escolhido pelo ex-presidente Boris Ieltsin em 1999 como sucessor supostamente maleável, Putin em pouco tempo mostrou quem mandava. Ele preencheu cargos chaves no Kremlin e nas empresas estatais com antigos oficiais dos serviços de segurança, criando uma nova base de poder feita de indivíduos que compartilhavam uma lealdade.

Sem o freio de qualquer instituição e sem precisarem reportar-se a ninguém, os membros da "nova nobreza" não demoraram a mostrar seu lado perigoso.

A mais destacada ativista dos direitos humanos na Rússia, Lyudmila Alexeyeva, recordou em entrevista recente que, no final da era soviética, a KGB era repressora, mas não tão perigosa.   Continuação...