3 de Novembro de 2010 / às 17:43 / 7 anos atrás

Estrelas são munições na guerra pela capital cultural do Golfo

Por Andrew Hammond

ABU DHABI (Reuters) - Em um estonteante vestido dourado e preto e com os saltos mais altos que você já deve ter visto, a atriz Salma Hayek passa pelo carpete vermelho.

"Eu gosto muito dele, e o levo muito a sério", diz ela a jornalistas que se amontoam para obter uma declaração dela sobre seu papel de júri neste festival de cinema. "Parece que eles construíram uma ótima casa para as artes, a cultura e os filmes."

Quem é que poderia acreditar que ela estava falando sobre o Catar, um país no deserto com 1,7 milhão de habitantes, em sua maioria expatriados, por muito tempo considerado um lugar atrasado culturalmente mesmo em comparação com seus vizinhos do Golfo Pérsico.

Abençoado com vastas reservas de petróleo e gás e com pequenas populações, as cidades do Golfo Pérsico com dinheiro de sobra têm competido nos últimos anos para se estabelecerem como capital cultural.

Doha tem um prestigioso museu de arte islâmica e Abu Dhabi está construindo ramificações do Guggenheim, de Nova York, e do Louvre, de Paris.

Mas são os seus festivais de cinema que tornaram o principal evento cultural de prestígio, desde que Dubai lançou sua versão em 2004 -- um chamariz para a tentativa de se tornar um destino glamoroso para o jetset internacional.

Uma semana antes de Hayek participar do segundo Festival de Cinema Tribeca de Doha, Uma Thurman passara pelo tapete vermelho do quarto Festival de Cinema de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

"Pela primeira vez, senti energia vindo de um festival nesta região", disse ela a jornalistas na capital dos Emirados.

Terceiro maior exportador de petróleo do mundo, Abu Dhabi deu prêmios em dinheiro de quase 1 milhão de dólares neste ano em um festival que teve 13 pré-estreias mundiais. Dubai, envolvida em problemas financeiros que tiraram muito do brilho da cidade, terá sua chance de contra-atacar em dezembro.

"A última vez que soube de uma competição cultural desse tipo foi entre as cidades-Estado durante a Renascença italiana", disse Cynthia Schneider, especialista em história da arte e professora de diplomacia da Georgetown University, em Washington.

No festival de cinema deste ano, as estrelas participavam de festas glamorosas pós-evento no hotel Emirates Palace, de Abu Dhabi -- o equivalente na capital dos EAU ao Burj AL-Arab, de Dubai. O clima refletia uma mudança drástica do perfil conservador mantido por Abu Dhabi até alguns poucos anos.

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