3 de Novembro de 2010 / às 18:48 / em 7 anos

Peruano Vargas Llosa diz que Nobel revolucionou sua vida

<p>O escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura de 2010, concede entrevista em Madri, na Espanha. Ele disse que o pr&ecirc;mio revolucionou sua vida e alterou a sua tranquila rotina. 03/11/2010Andrea Comas</p>

MADRI (Reuters) - O escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura de 2010, disse na quarta-feira que o prêmio revolucionou sua vida e alterou a sua tranquila rotina.

"Estou muito contente de ter recebido o prêmio, mas sinto um desequilíbrio com o qual não me sinto cômodo. Não é o estilo de vida que eu goste de ter", disse ele numa concorrida entrevista coletiva em Madri, a propósito do lançamento de seu novo romance, "El Sueño del Celta", no mercado hispânico.

O livro se baseia na história real de Robert Casement, um diplomata britânico do século 19 que foi um dos primeiros europeus a denunciar os abusos da colonização no Congo e na Amazônia.

O protagonista é uma espécie de herói visionário e de lutador social, e seus relatos sobre a barbárie e sobre os "civilizados" colonizadores da África e América ajudaram nas campanhas de conscientização anticolonialistas no continente europeu.

"A Europa da civilidade, da liberdade, das boas maneiras se transformou ali (no Congo e na Amazônia) em um mundo sem lei, guiado pela cobiça, num contexto de absoluta impunidade, e (os europeus) se converteram em monstros", disse o romancista, nascido em 1936 em Arequipa.

O romance, que chega ao mercado hispânico com tiragem inicial de 500 mil exemplares, atraiu o escritor por causa do seu polêmico personagem, um homem que terminou a vida sendo desprezado por muitos compatriotas seus, após ser alvo de rumores sobre aventuras sexuais escabrosas.

"Por uma parte herói, com coragem fora do comum, e por outro um ser humano falível, com debilidades e incongruências", disse Vargas Llosa.

Embora tenha mantido uma intensa atividade política -- foi candidato derrotado à Presidência do seu país em 1990 --, Vargas Llosa ultimamente se voltou para o que diz ser o verdadeiro prazer da sua vida: ler e escrever.

"Para mim, minha vida é o meu trabalho, nunca deixo de escrever", afirmou ele, acrescentando não haver nenhum risco de ter um "branco" após o Nobel.

"A mim a morte encontrará com uma caneta na mão", afirmou Vargas Llosa, que não quis antecipar o conteúdo do discurso de aceitação do Nobel, que lerá na cerimônia de entrega do prêmio em 10 de dezembro em Estocolmo.

Ele é o primeiro escritor de língua espanhola a receber o Nobel de Literatura em mais de uma década.

Reportagem de Itziar Paneda

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