Risonho, Bush promove livro e diz que mundo é melhor sem Saddam

terça-feira, 9 de novembro de 2010 19:30 BRST
 

Por Andrew Stern

CHICAGO (Reuters) - O ex-presidente George W. Bush, cuja autobiografia chegou às livrarias na terça-feira, declarou ter "largado a política" e, numa entrevista muito risonha à apresentadora Oprah Winfrey, defendeu decisões que tomou na Casa Branca.

"Muita gente não achava que eu soubesse ler, muito menos escrever", disse Bush na entrevista, destinada a promover seu livro "Decision Points".

Oprah perguntou a ele se estava arrependido por ter mandado invadir o Iraque com base em falsas suspeitas de que o ditador Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Bush admitiu que se sentia "terrível" e "nauseado" por ter acreditado nisso, mas botou a culpa em Saddam.

"Vou lhe dizer o que estava errado. Saddam Hussein enganou todo mundo. Ele não queria que as pessoas soubessem que ele não as possuía... O que é estranho, porque eu deixei claro a ele para permitir a entrada dos inspetores (de armas), ou iríamos removê-lo do poder, e ele não acreditou em mim, infelizmente", afirmou.

"Meu argumento é que o mundo está melhor sem ele", completou Bush, sendo aplaudido pela plateia.

Oprah disse que ler o livro era como "estar dentro da cabeça dele conforme ele toma decisões". Bush contou histórias dos seus oito anos de governo (2001-2009), e passagens pessoais, como sobre o seu primeiro dia depois de deixar o cargo mais poderoso do mundo.

"Estou lá deitado no sofá e (Laura, sua esposa) entra e eu digo: 'Enfim, livre', e ela diz: 'Certo, você está livre, livre para lavar os pratos'. Aí eu digo: 'Você está falando com o ex-presidente, baby', e ela disse: 'Considere essa a sua nova agenda de política doméstica'", contou Bush, rindo.

Em um tom mais sério, os olhos dele ficaram marejados ao lembrar dos momentos em que teve de consolar viúvas de soldados mortos no Iraque e Afeganistão. E se irritou ao falar dos críticos que o acusaram de racismo por ter supostamente negligenciado a população negra e pobre de Nova Orleans após a passagem do furacão Katrina, em 2005. Para ele, tais acusações foram reflexo da "feiúra do cenário político norte-americano".   Continuação...