ESTREIA-"Muita Calma Nessa Hora" tropeça em humor rasteiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010 14:13 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Muita Calma Nessa Hora" é um filme com um título bastante auto-explicativo, com pouca criatividade e uma série de pontas de humoristas de diversas gerações. Afinal, mostra-se a colagem de uma série de gags de humorísticos televisivos amarradas por merchandising e pretensão. Roteirizada por Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão, o filme tem direção de Felipe Joffily ("Ódique?").

A trama é a mais surrada possível e parece extraída de uma novela das 7h, com sol, praia, gente bonita com pouca roupa e menos neurônios ainda. Tudo se pode esperar em matéria de mau gosto de um filme em que, antes da marca de 15 minutos, uma personagem engasga com um preservativo. A bem da verdade, "Muita Calma Nessa Hora" não baixa o nível além disso, mas, também, em momento algum se esforça para o elevar.

Na trama, três amigas mal amadas e infelizes viajam para um fim de semana em Búzios. Elas são Tita (Andréia Horta, da série "Alice"), Mari (a ex-modelo Gianne Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza, que um dia já foi "Chiquitita"). No caminho, dão carona a Estrella (Debora Lamm, de "Seja o que Deus Quiser"), que parece uma hippie do século passado.

Crédito deve ser dado a quem merece. E Deborah Lamm, aqui, é uma revelação. Deixando de lado a histeria chata de sua personagem em "Seja o que Deus Quiser", ela é capaz de dizer as frases mais absurdamente sem sentido e, ainda assim, manter uma cara séria, de quem realmente acredita no que está falando. Não fosse a presença dela, o filme seria ainda mais intragável.

Tita e Mari disputam a atenção do surfista Juca (Dudu Azevedo) -- e, como são muito boas amigas, parecem não se importar em dividir o mesmo homem. Já Estrella busca o seu pai, seguindo uma única pista, a tatuagem de sol que ele tem nas costas. Enquanto isso, Aninha proclama sua indecisão, incapaz de escolher entre um brinco, uma tatuagem ou um drinque.

Como muitas das comédias, "Muita Calma Nessa Hora" calca-se em cima de tipos e tenta extrair humor de sua ridicularização -- é o caso da beata vivida por Maria Clara Gueiros, ou o paulista, interpretado pelo apresentador Marcelo Adnet.

Outros comediantes fazem pontas de maior ou menos duração, como Sérgio Mallandro -- um tatuador que procura lembrar o personagem de Mickey Rourke em "Os Mercenários" -- e o apresentador Marcos Mion, que parece ter aceitado participar apenas para aparecer sem camisa.

A direção de Felipe Joffily guarda todo o seu arsenal para uma delicada -- até demais -- cena de sexo, filmada apenas com closes nos rostos dos personagens. Seria um momento bonito, se a câmera e a fotografia de todo o resto do filme não se desenrolassem numa total banalidade. Assim, fica parecendo pretensão.

Talvez, no fundo, ao colocar em cena personagens tão ocos, o longa pretendesse criticar o vazio de uma geração. Mas aí também seria dar crédito demais ao filme.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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