19 de Novembro de 2010 / às 19:45 / em 7 anos

Ex-executivo troca Hollywood por crianças do Camboja

Por Bob Tourtellotte

LOS ANGELES (Reuters Life!) - Há sete anos, o encontro com uma menina pobre durante uma viagem como mochileiro pelo Camboja mudou a vida de Scott Neeson, até então um poderoso executivo de Hollywood acostumado a levar uma vida confortável na Califórnia.

Ele jantava num restaurante ao ar livre quando a menina de nove anos se aproximou pedindo dinheiro. Na noite seguinte, a menina voltou, e Neeson sabia que ela estaria lá no dia seguinte, e nos outros também.

O executivo perguntou de onde ela vinha e foi direcionado para o aterro sanitário de Steung Meanchey, nos arredores de Phnom Penh, a capital do Camboja. Lá, viu crianças revirando o lixo em busca de comida e outros itens que pudessem ser vendidos.

Não havia como essas crianças prosperarem, pensou ele, e então Neeson decidiu ajudar. Procurou os pais da menina, e também outra menina e seus pais. Matriculou as crianças em escolas e ofereceu moradias mais dignas para as famílias.

“Tudo isso, para ambas as famílias, saiu por cerca de 80 dólares por mês”, contou Neeson, de 51 anos, numa recente entrevista à Reuters.

E por que ele fez isso? Em grande parte porque podia, mas também porque ele desejava mudar a própria vida, mesmo sabendo que isso seria difícil.

Hoje em dia, o ex-presidente da divisão de cinema internacional do estúdio 20th Century Fox vive no Camboja, onde se radicou há seis anos, e dirige o Fundo Infantil do Camboja, cujo objetivo é oferecer educação e/ou oportunidades de trabalho a menores, ajudando-os a superar o ciclo de pobreza.

Das duas meninas ajudadas sete anos atrás, o programa de Neeson passou a atender cerca de 700 atualmente. E os serviços da entidade também se estendem às suas famílias e às comunidades onde elas vivem. O fundo oferece educação, atendimento médico e treinamento profissionalizante.

Durante o primeiro ano, Neeson ainda manteve seu emprego em Hollywood, e viajava ao Camboja praticamente todo mês para tocar a organização. Muitas das crianças não tinham pais ou outros adultos que cuidassem delas, e em quatro meses o Fundo Infantil já estava ajudando 90 menores.

Em dezembro de 2004, Neeson abandonou de vez sua casa em Los Angeles, deixou seu barco para trás e seguiu para Phnom Penh para se dedicar integralmente ao projeto.

O número de crianças atendidas saltou rapidamente de 90 para 150, os resultados começaram a aparecer, e ele arrecadou dinheiro para construir instalações.

Neeson citou um exemplo em que precisou de apenas seis dias e o equivalente a 650 dólares para construir uma unidade habitacional com chão de cimento e redes para as crianças dormirem.

“Toda a filosofia é construir uma comunidade que rume para a autossuficiência”, disse ele.

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