Javier Bardem, marcado pela tragédia contemporânea em "Biutiful"

segunda-feira, 29 de novembro de 2010 15:33 BRST
 

MADRI (Reuters) - Morte, sordidez, espiritualidade e imigração formam a galáxia de Uxbal, uma personagem com um destino trágico, encarnada pelo espanhol Javier Bardem. Ao redor de Uxbal gira a trama completa de "Biutiful", a última aposta do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que deixou uma profunda impressão no ator.

Para Bardem -- um intérprete envolvido com diversas causas humanitárias e que em breve será pai --, uma experiência como essa teria de formar consciência.

"O conceito de coisas como a imigração ilegal, a exploração, a escravidão moderna, deixa de ser ideia intelectual baseada em julgamentos para ser experiência, e isso fica para sempre gravado na gente. Já não vemos da mesma forma esse aspecto da vida ou da sociedade, vemos com outro tipo de implicação", afirmou Bardem durante uma entrevista coletiva à imprensa nesta segunda-feira, em Madri.

"Creio que todos temos, em nível intelectual, o conceito de como são as situações no mundo, mas o ator está obrigado a ter uma experiência sensitiva disso", acrescentou Bardem, que afirmou que o filme está impregnado de tragédia grega.

Ganhador do Oscar por "Onde os Fracos Não Têm Vez", o ator regressa a uma Barcelona bem menos amável do que aquela em que esteve para rodar "Vicky Cristina Barcelona", agora para interpretar um pai doente, delinquente e angustiado, que luta para deixar um legado para os dois filhos.

Embora a personagem de Uxbal já conte com o reconhecimento de melhor intérprete no Festival de Cinema de Cannes, nem Bardem nem Iñárritu aparentemente estão dando muita importância à campanha de promoção para a próxima entrega do Oscar, em fevereiro.

"Biutiful" é a primeira aventura de Iñárritu sem o roteirista Guillermo Arriaga, com quem trabalhou na trilogia formada por "Amores Brutos", "21 gramas" e "Babel".

 
<p>O ator espanhol Javier Bardem posa para foto na premi&egrave;re do filme "Biutiful" em Madri, 29 de novembro de 2010. REUTERS/Andrea Comas</p>