Vargas Llosa descarta tentar de novo a Presidência do Peru

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 15:48 BRST
 

Por Simon Johnson

ESTOCOLMO (Reuters) - O vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, disse na segunda-feira que não concorrerá novamente à Presidência peruana. Ele afirmou que sua candidatura em 1990 deveu-se a circunstâncias excepcionais.

Na capital sueca para receber seu prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,46 milhão de dólares), Vargas Llosa disse que fez frente a Alberto Fujimori há 20 anos porque a "democracia muito frágil do país estava estremecendo e a ponto de entrar em colapso".

"Tínhamos praticamente uma guerra civil...e tínhamos a hiper-inflação...Foi por causa dessas circunstâncias que tive a necessidade de participação política. Certamente não repetirei essa experiência", afirmou Vargas Llosa, um dos líderes do renascimento da literatura latino-americana nos anos 1960.

Vargas Llosa perdeu para Fujimori, que combateu a inflação e as guerrilhas maoístas do país, mas agora se encontra na prisão por desrespeito aos direitos humanos.

O escritor de 74 anos disse esperar que a eleição presidencial peruana do ano que vem fortaleça a democracia e o Estado de direito e reforce a paz dos últimos anos.

Partidário da esquerda na juventude, Vargas Llosa foi para o outro lado do espectro político ao longo da vida, enfurecendo boa parte da intelligentsia de esquerda da América Latina.

Falando por meio de um tradutor, ele afirmou que permanece liberal: "Sou totalmente contra todas as formas de autoritarismo e de totalitarismo".

Vargas Llosa fez sua estreia internacional nos anos 1960, com o romance "A Cidade e os Cachorros", sobre cadetes de uma academia militar de Lima. Muito de seu trabalho é baseado em sua experiência de vida no Peru no fim dos anos 1940 e nos anos 1950.   Continuação...

 
<p>Ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa concede entrevista coletiva em Estocolmo. 06/12/2010 REUTERS/Janerik Henriksson/Scanpix</p>