Glamour, protestos e Wagner na abertura da temporada do La Scala

terça-feira, 7 de dezembro de 2010 13:27 BRST
 

Por Antonella Ciancio

MILÃO (Reuters Life!) - A história criada por Richard Wagner sobre uma luta pelo poder misturada a amor familiar e incesto vai inaugurar a temporada de ópera do teatro La Scala de Milão na noite de terça-feira, para um público de ricos e poderosos.

A noite de abertura do elegante teatro de ópera de Milão é um dos eventos mais glamurosos do mundo para ver e ser visto. Celebridades e membros da intelligentsia mundial assistirão a uma produção de "As Valquírias", de Wagner, repleta de astros, estrelas e magia tecnológica.

O regente israelense Daniel Barenboim -- que já disse que é preciso diferenciar as obras de Wagner da ideologia antissemita do compositor do século 19 -- minimizou os receios de alguns membros do elenco em relação ao uso de tecnologia no palco.

A previsão é que protestos de artistas e sindicatos contra os cortes governamentais nas despesas com as artes, dentro do clima atual de austeridade que domina a Europa, também prejudiquem o entusiasmo dos amantes da ópera.

"'As Valquírias' é uma obra contemporânea", disse Barenboim a jornalistas na semana passada, defendendo os méritos artísticos de Wagner. "Ela afirma que as pessoas só podem ser livres quando tiverem se libertado das convenções sociais."

Intensificando os comentários que cercam o evento, na semana passada a imprensa italiana informou que alguns dos cantores se queixaram do predomínio de efeitos visuais na encenação da ópera, que estaria prejudicando a profundidade dos personagens.

O La Scala está no segundo ano de seu plano ambicioso de encenar o ciclo de quatro óperas "O Anel dos Nibelungos", de Wagner, adaptadas da mitologia nórdica, até 2013, como parte das comemorações do 200 aniversário do nascimento do compositor alemão.

A história gira em torno do amor incestuoso entre Siegmund, filho do deus Wotan, e sua irmã mortal, Sieglinde.

(Reportagem adicional de Ilaria Polleschi)