ESTREIA-Em "Além da Vida", Clint Eastwood supera viés religioso

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011 12:21 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Aos 80 anos, completados em maio de 2010, Clint Eastwood vive uma década de ouro como diretor. Especialmente nestes anos 2000, muito embora outros de seus trabalhos impecáveis e premiados, como "Os Imperdoáveis", pertençam aos anos 1990.

Sua excelente forma profissional pode mais uma vez ser comprovada no drama "Além da Vida" - no qual o cineasta se arrisca num tema muito escorregadio, a vida após a morte.

Contando com um roteiro do talentoso Peter Morgan (roteirista de "A Rainha" e "Frost/Nixon"), Clint costura três histórias, em três diferentes locais do mundo.

A inteligência e sensibilidade do espectador são despertadas lentamente para interessar-se por essas pessoas e outras que as cercam. Flui naturalmente a curiosidade de saber como e quando se encontrarão - porque não é preciso ser médium para perceber que isso acontecerá.

Marie LeLay (Cécile de France, de "Um Lugar na Plateia") é uma bem-sucedida jornalista francesa, âncora de um respeitado programa de televisão. De férias na Indonésia com o namorado (Thierry Neuvic), ela é surpreendida pelo tsunami - e quase morre.

A maestria do filme, aliás, está igualmente no realismo das sequências do tsunami, realmente impressionantes.

De volta a casa, em Paris, Marie retoma o trabalho, mas se sente diferente. Suas motivações parecem ter perdido o sentido. Ela sente-se particularmente perturbada pelas visões que experimentou no seu estado de quase morte - quando viu vultos vindo em sua direção, numa atmosfera brilhante.

Ela procura conversar sobre o assunto, mas tudo o que encontra é descrédito. E sua vida tão impecável e organizada começa a desmoronar.

Em Londres, os gêmeos Marcus (George McLaren) e Jason (Frankie McLaren) são o esteio um do outro, unidos diante da séria instabilidade da mãe, uma dependente de heroína com dificuldades de abandonar o vício. Jason, especialmente, é o líder da casa. Mas o equilíbrio desaba quando ele é atropelado e Marcus deve encarar uma família adotiva temporária, enquanto a mãe vai se tratar.   Continuação...

 
<p>Clint Eastwood na premia&ccedil;&atilde;o do Museum of Tolerance International Film Festival em Los Angeles, em novembro. 14/11/2010 REUTERS/Danny Moloshok /Arquivo</p>