6 de Janeiro de 2011 / às 15:24 / em 7 anos

ESTREIA-Em "Árvore", Charlotte Gainsbourg encara morte do marido

<p>Charlotte Gainsbourg no Festival de Cannes em maio de 2010. Seu novo filme "&Aacute;rvore" estreia neste final de semana. 23/05/2010 REUTERS/Vincent Kessler/Arquivo</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Para Charlotte Gainsbourg, ser mãe é padecer no paraíso. Ao menos no cinema. Depois da mãe sofredora, e bota sofrimento nisso, em “Anticristo”, de Lars Von Trier -- que lhe rendeu o prêmio de interpretação feminina em Cannes 2009 --, ela encarna outra vez a figura materna no limite em “A Árvore”.

A direção é da francesa Julie Bertucelli, que tem em seu currículo o longa “Desde que Otar Partiu”, premiado na Semana da Crítica em Cannes 2003. O roteiro é baseado num romance da australiana Judy Pascoe e a narrativa situa-se no interior da Austrália.

Julie, aliás, é uma cineasta que costuma filmar longe de casa. Seu filme de estreia passava-se na Geórgia. Assim, ao mesmo tempo em que localiza a narrativa, ela também é uma descobridora daquele lugar, pois lhe é estranho.

Esse sentido de estranhamento é fundamental para “A Árvore”, que foi o filme de encerramento do Festival de Cannes de 2010. As primeiras cenas mostram a relação familiar da personagem de Charlotte, Dawn, e o marido, Peter (Aden Young), e os filhos Tim (Christian Bayers), Lou (Tom Russell), Simone (Morgana Davies) e Charlie (Gabriel Gotting). Essa espécie de prólogo dura o suficiente para registrar o clima harmonioso da família e a relação próxima entre Simone, a filha mais nova, e o pai, que morre de um ataque do coração.

Essa ruptura transforma a família, ao ponto de que a pequena Simone passa a acreditar que o pai está dentro de uma grande figueira que há na frente da casa familiar. A ausência destroi emocionalmente os personagens, que precisam se recompor. A princípio, Dawn não se importa com a relação próxima da filha com a árvore. Devastada, ela mesma busca refúgio na solidão junto à figueira em alguns momentos.

A obsessão da menina ganha contornos mais sérios à medida em que Simone se isola cada vez mais, apegando-se à arvore. Ganhando ares de um realismo fantástico, é como se a árvore passasse a ter um ‘comportamento’ estranho. É óbvio que a diretora está trabalhando com uma alegoria. A figueira no filme, que guardaria a alma de Peter, não representa apenas uma árvore, mas o sentimento da menina sobre a perda do pai.

Coincidentemente, a diretora passou por uma experiência parecida pouco antes das filmagens. Seu marido, o diretor de fotografia Christophe Pollock, morreu em 2006, deixando-a com dois filhos pequenos.

Independente dessa coincidência -- ou se o longa trouxe algum tipo de expiação para Julie, “A Árvore” é um filme de emoções verdadeiras e que encontra força nas interpretações -- especialmente de Charlotte e da pequena Morgana.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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