Berlusconi nega-se a depor por escândalo sexual

sábado, 22 de janeiro de 2011 14:46 BRST
 

Por Silvia Aloisi

ROMA, 22 de janeiro (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, acusou membros do Judiciário de espioná-lo ilegalmente, negando-se a depôr a promotores públicos pela denúncia de ter feito sexo com uma prostituta menor de idade.

Enquanto a oposição pede sua renúncia devido ao escândalo sexual, Berlusconi disse que não tem intenção de deixar o govero, mantendo-se na defensiva contra magistrados que, segundo ele, são parciais e inclinados a tentar tirá-lo do poder.

"Eu não vou fugir e eu não vou renunciar", declarou Berlusconi por telefone durante reunião de seu partido, O Povo da Liberdade. "Eu estou me defendendo e reagindo ao que é claramente uma tentativa de subverter a vontade dos eleitores."

Promotores públicos de Milão alegam que Berlusconi pagou para fazer sexo com um número "significativo" de prostitutas, inclusive com uma dançarina de 17 anos de idade, durante festas em sua mansão, nos arredores da cidade. Berlusconi nega as acusações.

O vazamento de transcrições de conversas telefônicas entre mais de 20 mulheres que participavam das festas na casa de Berlusconi, chamadas de "bunga bunga", espalharam-se pelos jornais durante dias, pressionando o premiê.

Berlusconi disse que os grampos telefônicos são parte de uma campanha política, judicial e midiática ilegal para destruí-lo, e defendeu seu direito à privacidade, chamando as acusações de "ridículas".

"Desde o começo de 2010, todos os convidados que vêm à minha casa em Arcore estiveram sujeitos a grampos telefônicos contínuos ... É normal, em uma democracia, que o primeiro-ministro possa estar sujeito a esse tipo de controles, a essa espionagem", indagou Berlusconi, recebendo um "não" em coro dos membros de seu partido.

Os juízes convocaram o bilionário de 74 anos para um interrogatório, permitindo que ele escolhesse entre sexta-feira e domingo para comparecer.

 
<p>O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, reage no Pal&aacute;cio Chigi, em Roma, 20 de janeiro de 2011. REUTERS/Tony Gentile</p>