Morre John Barry, 77, criador das trilhas de James Bond

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 10:39 BRST
 

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - O compositor britânico John Barry, ganhador de cinco prêmios Oscar e conhecido por ser autor de trilhas musicais para os filmes do personagem James Bond, morreu no domingo aos 77 anos, segundo nota divulgada pela família por intermédio da produtora EON.

Ele deixa a esposa Laurie, com quem foi casado por 33 anos, além de quatro filhos e cinco netos. A causa da morte não foi divulgada, mas a BBC informou que ele sofreu um ataque cardíaco.

O enterro será fechado ao público, e uma cerimônia em memória de Barry está prevista para dentro de alguns meses.

Segundo a EON, Barry fez as trilhas de 11 filmes do agente 007 - começando por "Moscou Contra 007" (1963). No ano anterior, ele já havia feito arranjos para a trilha de "O Satânico Dr. No", filme inaugural da série.

Barry nasceu em 1933 em York, e numa entrevista há quase dez anos contou ter testemunhado os efeitos dos bombardeios nazistas de 1942 sobre a cidade inglesa - experiência que teria um profundo impacto na sua música.

"Tenho uma forte atração por temas que lidem com a perda", disse ele, comentando seus trabalhos para o cinema. "Entre Dois Amores", "Dança com Lobos", "Em Algum Lugar do Passado" - todos esses filmes são sobre uma sensação de perda. Não sei se isso vem da Segunda Guerra Mundial. Isso deixa uma marca, não sei como poderia não deixar."

Barry estudou piano clássico, mas se voltou para o jazz e aprendeu trompete. No final da década de 1950, formou um septeto com o seu nome, e chamou o guitarrista Vic Flick - autor dos clássicos acordes que identificam o personagem James Bond.

O músico começou a fazer arranjos para cantores numa série de TV, e estreou no cinema com a trilha de "Beat Girl" (1960).

Ganhou Oscars por "Dança com Lobos", "Entre dois Amores", "O Leão no Inverno" e "A História de Elza" (dois). Recebeu também quatro Grammy e uma homenagem da Bafta (Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas) em 2005.

(Reportagem de Mike Collett-White)