Hollywood e temas difíceis se reencontram no Festival de Berlim

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 12:42 BRST
 

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - A crise financeira, a vida sob uma ditadura, o acidente nuclear de Chernobyl e a imigração na Alemanha. O Festival de Cinema de Berlim promete seu misto tradicional de entretenimento e retratos da vida real dura em 2011.

O diretor do festival, Dieter Kosslick, que todos os anos busca um equilíbrio entre astros e estrelas no tapete vermelho e longas-metragens independentes e inovadores, este ano parece estar pendendo mais para estes últimos, segundo especialistas.

"Berlim está reduzindo o glamour de Hollywood e intensificando o lado indie, com alguns títulos para o grande público mas muitos filmes de arte intrigantes concorrendo ao Urso de Ouro este ano", escreveu Scott Roxborough, do Hollywood Reporter.

Com custo estimado de 38 milhões de dólares, um valor relativamente modesto pelos padrões de Hollywood, mas estrelado por Jeff Bridges e Matt Damon, "Bravura Indômita", dos irmãos Coen, que abrirá o festival na quinta-feira, é uma combinação das duas coisas.

O remake de um Western anterior já está em cartaz nos EUA e é um dos candidatos favoritos ao Oscar deste ano, mas sua presença em Berlim fora da competição principal deve garantir o tipo de repercussão que todo grande festival de cinema necessita para fazer sucesso.

Na sexta-feira, "Margin Call", o trabalho de estreia de J.C. Chandor, promete levar à telona o drama da vida real da crise financeira de 2008, com Kevin Spacey e Demi Moore, entre outros nomes, atuando no thriller sobre Wall Street.

O festival de dez dias terá dois filmes sobre as experiências às vezes apavorantes de pessoas que vivem sob ditaduras.

O primeiro filme da diretora Paula Markovitch, "El Premio", dentro da competição principal, conta a história de Ceci, de 7 anos, que carrega o peso de um "segredo enorme" para proteger sua família da repressão durante o regime militar da Argentina.   Continuação...

 
<p>Diretor do Festival de Cinema de Berlim, Dieter Kosslick, mostra urso de Berlim em coletiva de imprensa. O festival promete seu misto tradicional de entretenimento e retratos da vida real dura em 2011. 01/02/2011 REUTERS/Fabrizio Bensch /Arquivo</p>