ESTREIA-"O Discurso do Rei" traz olhar intimista sobre nobreza

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 11:07 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - É preciso dar crédito aos ingleses pelo que eles têm feito nos últimos tempos: rever de forma pouco glamourizada a monarquia local. Filmes como "A Rainha" e "A jovem rainha Vitória" fazem uma releitura intimista dos bastidores do poder real.

É bem verdade que, muitas vezes, essa "nova visão" vem ainda coberta de bom-mocismo e excesso de boa vontade - deixando de lado, propositalmente, questões mais controversas. "O Discurso do Rei", em estreia nacional, é mais um exemplar nessa galeria que tenta mostrar que os nobres são gente como a gente.

O nobre em questão é o rei George VI (nascido Albert Frederick Arthur George), cuja gagueira torna-se um empecilho toda a vez que ele vai se dirigir à nação. Em tempos de paz isso já seria um problema. Em tempos de crise, isso coloca uma espada sobre sua cabeça.

O monarca é interpretado por Colin Firth que, por ser inglês, não precisa fingir o sotaque (o que sempre garante prêmios), mas teve trabalho para criar seu personagem, e desponta como o favorito ao Oscar em sua categoria. O filme é o campeão de indicações do ano, com 12, inclusive melhor filme e diretor (Tom Hooper, da minissérie "John Adams").

Escrito por David Seidler - que também foi gago na juventude - , "O Discurso do Rei" é um divertimento cinematográfico à moda antiga, daqueles que as pessoas gostam de ver porque além de se divertirem saem da sessão supondo que conhecem mais sobre a história da Inglaterra, e tudo isso por apenas um ingresso.

Albert tentou diversos métodos para superar seu problema, mas nada funcionou. Sua mulher, Elizabeth (Helena Bonham Carter, no papel de boa moça), descobre um sujeito com métodos nada ortodoxos. Mas, para quem já tentou falar com a boca cheia de bolas de gude, nada poderá ser mais radical.

O sujeito é Lionel Logue (Geoffrey Rush, de "Shine - Brilhante"), um terapeuta que mais com falação do que ação pode ser capaz de curar o futuro monarca.

Como esse é um filme de visão intimista, a política é reduzida ao básico, apenas para dar tom à trama. A questão central é George falar à nação e, com sua voz potente, ajudar os ingleses a superar um período conturbado e sobreviver à guerra que se avizinha.

O irmão mais velho, David (Guy Pearce), sobe ao trono após a morte do pai (Michael Gambon) e se torna, por um breve período, o rei Edward VIII. Mas seus problemas são piores do que a gagueira de Albert. Amante de uma mulher (Eve Best) que não apenas é plebeia e americana, mas também divorciada, ele abre mão do trono para ficar com a amada, o que obriga Albert a aceitar a coroa.   Continuação...

 
<p>Colin Firth chega ao 63o DGA Awards, em Los Angeles. 29/01/2011 REUTERS/Phil McCarten/Arquivo</p>