Shakespeare poderia ter sido cineasta, diz Ralph Fiennes

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 17:08 BRST
 

Por Erik Kirschbaum

BERLIM (Reuters) - Se estivesse vivo hoje, William Shakespeare seria um grande roteirista, porque seus escritos se adaptam bem ao cinema, disse nesta segunda-feira o ator britânico Ralph Fiennes, após a estréia mundial de seu filme "Coriolanus".

Protagonista e diretor da adaptação para os dias de hoje da peça de Shakespeare, do século 17, sobre um general romano renegado, Fiennes disse que a tragédia é um thriller político atemporal sobre poder, manipulação e insatisfação pública. Ele rodou o filme em Belgrado.

"Acho que, se Shakespeare estivesse vivo hoje, escreveria sem dificuldade para o cinema", disse Fiennes em uma coletiva de imprensa, depois de seu filme intransigente ser bastante aplaudido no Festival de Berlim. Ele disse que gostaria de filmar mais peças de Shakespeare.

"Coriolanus" é uma tragédia sobre um legendário general romano do século 5 a.C., mas a história foi transposta para o século 21, e suas cenas tensas de batalhas urbanas foram rodadas em Belgrado.

Figura militar heróica representada pelo próprio Fiennes, o general se desentende com Roma depois de uma tentativa equivocada de atuar na política. Vanessa Redgrave faz sua mãe dominadora e Gerard Butler, seu grande inimigo.

O general acaba sendo banido de Roma e passa para o lado de seu antigo inimigo, Tullus Auficius (Gerard Butler), tentando vingar-se de Roma.

O filme tem como pano de fundo um país mergulhado em crise econômica e uma longa guerra contra o povo -- que traja roupas do século 21 -- enfurecido com a escassez de alimentos e a desigualdade, ingredientes atemporais de tensão.

"Este é nosso mundo", disse Fiennes à Reuters. "Ligamos a TV na CNN e vemos pessoas na praça de Cairo. Vemos essas coisas em todo o mundo -- em Atenas, em Paris, em protestos em Mianmar."   Continuação...

 
<p>O diretor e ator Ralph Fiennes e a atriz Vanessa Redgrave chegam para a exibi&ccedil;&atilde;o do filme "Coriolanus" durante o 61o Festival de Cinema de Berlim. 14/02/2011 REUTERS/Christian Charisius</p>