3 de Março de 2011 / às 14:16 / 6 anos atrás

ESTREIA-"Gnomeu e Julieta" usa humor para subverter tragédia

<p>Atriz brit&acirc;nica Emily Blunt na estreia do filme "Gnomeu e Julieta" em Londres, em janeiro. 30/01/2011Paul Hackett</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Eis alguns fatos que Shakespeare sabia: Capuletos e Montecchios eram duas famílias com o mesmo nível de dignidade, moravam na bela Verona, travando uma rixa antiga que sujou de sangue mãos civis.

Eis alguns fatos que o bardo desconhecia: Capuletos se vestem de vermelho, Montecchios, de azul; são feitos de barro cozido e moram em jardins, e, o mais importante, são gnomos.

A tragédia clássica - explorada de diversas formas no cinema, literatura ou qualquer outro meio de expressão - ganha mais uma versão no cinema.

Desta vez, numa animação para o público infantil - e, por isso, deixa de lado o sangue, o veneno, as mortes e qualquer tipo de consumação carnal. Tudo isso é substituído por canções de Elton John (creditado como coprodutor) e Bernie Taupin em "Gnomeu e Julieta", que estreia em circuito nacional em versões dubladas e legendadas, ambas nos formatos convencional ou 3D.

Dirigido por Kelly Asbury ("Shrek 2"), "Gnomeu e Julieta" transforma em comédia a história dos apaixonados de destino fatal que foram vítimas da briga entre suas famílias. Gnomeu (voz de James McAvoy, na versão original; Daniel de Oliveira, na brasileira) é o típico gnomo de jardim, com menos de um metro de altura e chapéu.

Numa das primeiras cenas, participa de uma corrida contra um primo de Julieta, e perde, destruindo o aparador de grama da sua casa, que lhe serviu de veículo na disputa.

O amor nasce quando Julieta (voz de Emily Blunt no original; Vanessa Giacomo, na versão nacional) se encontram, por acaso, e sem saber seus sobrenomes, enquanto estão tentando pegar uma orquídea rara. O resto é história. Ou melhor, história de amor.

O interessante é ver como Asbury - que assina o roteiro com mais oito pessoas - subverte a história original, adaptando-a ao universo dos enfeites de jardim e para o público infantil. Shakespeare em pessoa, ou melhor, em estátua, faz uma participação e antecipa o final da tragédia - o que não acontece aqui.

Não se pode esperar nem pedir personagens muito densos ou profundos quando eles não passam de figuras de barro. "Gnomeu e Julieta" não se acanha de transformá-los em seres ridiculamente engraçados.

Julieta tem uma decoração cafona na sua torre, que explode em cores, luzes e sons sempre que se aciona um botão. O melhor enfeite do jardim dos Montecchio é uma privada antiga. Já as canções de Elton John que estão na trilha foram adaptadas para a realidade dos personagens.

Com colorido forte, "Gnomeu e Julieta" faz uso eficiente do efeito 3D, realçando detalhes e texturas, sem deixar de lado a trama e os diálogos. O final feliz é inevitável, mas o caminho tomado para chegar lá é bastante criativo, com piadas que envolvem trocadilhos, mal-entendidos e uma rã que é ama da Julieta - dublada na versão original por Ashley Jensen, e na nacional pela atriz e comediante Ingrid Guimarães.

(Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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