Livro do Papa sobre Jesus condena a violência religiosa

quinta-feira, 10 de março de 2011 12:28 BRT
 

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Bento 16, em seu livro mais recente, lançado na quinta-feira, condena a violência cometida em nome de Deus e exonera pessoalmente os judeus da responsabilidade pela morte de Jesus.

O livro, o segundo de uma série planejada em três partes sobre a vida de Jesus, é um relato detalhado, altamente teológico e acadêmico da última semana da vida de Jesus.

O livro já foi impresso em sete línguas, com 1,2 milhão de cópias ao todo. A publicidade internacional da obra incluiu teleconferências com a mídia em vários países.

A obra, que tem 350 páginas e se parece mais com um texto para seminaristas que com um livro para o grande público, é repleta de citações da Bíblia e referências a outros teólogos, historiadores e autores católicos.

Em uma seção, Bento escreve que não há justificativa possível para a violência cometida em nome de Deus --afirmação tão aplicável à militância islâmica de hoje quanto à violência que a própria Igreja Católica cometeu no passado, no esforço para difundir sua fé.

"A violência não constrói o Reino de Deus, o reino da humanidade," escreve o papa.

A parte do livro que pode ter efeito mais amplo sobre as relações dos católicos com outras religiões é o trecho em que o pontífice detalha os fatos do julgamento de Jesus Cristo perante o governador romano Pôncio Pilatos e sua condenação à morte.

Nesse trecho, o papa repudia o conceito da culpa coletiva dos judeus da época e de seus descendentes pela morte de Jesus, acusação que assombra as relações entre cristãos e judeus há séculos.   Continuação...

 
<p>Bispo Robert Zollitsch apresenta o segundo volume do livro do papa Bento 16, durante coletiva de imprensa em Frankfurt, na Alemanha. 10/03/2011 REUTERS/Ralph Orlowski</p>