March 23, 2011 / 6:16 PM / 6 years ago

Violinos raros retornam da Rússia à Itália para concerto em Roma

3 Min, DE LEITURA

Por Philip Pullella

ROMA (Reuters Life!) - Para os amantes da música, ouvir virtuoses do violino e violoncelo tocando um instrumento de Stradivarius ou Guarnieri já seria um vislumbre do paraíso, mas ouvir uma dúzia ao mesmo tempo é uma oportunidade única na vida.

Foi precisamente a oportunidade que teve uma plateia em Roma na noite de terça-feira, quando o violinista italiano Uto Ughi, o russo Yuri Bashmet e outros tocaram Mozart, Paganini e Tchaikovsky em instrumentos dos séculos 16, 17 e 18.

Os 13 instrumentos preciosos - sete violinos, três violas e dois violoncelos - foram emprestados pelo Museu Central Estatal Glinka de Cultura Musical, em Moscou, e tocados em público.

"Sempre foi meu sonho trazer estes instrumentos de volta para serem tocados no país onde nasceram", disse Bashmet ao público.

De fato, a simples visão dos instrumentos raros deixou alguns membros da plateia do auditório Conciliazione hipnotizados, como se estivessem contemplando uma visão sagrada.

Entre os instrumentos, cinco foram criados pela família Stradivari, dois pela família Guarnieri, um pela família Amati e outros por luthiers individuais.

A maioria dos instrumentos foi feita na cidade de Cremona, no norte da Itália, cujo nome é sinônimo de violinos e violoncelos perfeitos.

Ughi, 67, e Bashmet, 58, tocaram como solistas ao lado da Orquestra de Câmara de Solistas de Moscou, de 24 integrantes, fundada por Bashmet em 1992 e dirigida por ele.

"Ouvimos a beleza do som criado por esses instrumentos, que nunca foram superados", disse Bashmet. "Apesar de todo o progresso da tecnologia, nunca ninguém foi capaz de recriar a qualidade e o som destes instrumentos."

Uma teoria é que Stradivarius e Guarnieri, ambos alunos de Amati, teriam armazenado a madeira de seus instrumentos em uma solução salina rica em minerais, antes de deixá-la secar.

Também já foi aventada a hipótese de que membros das famílias de luthiers de Cremona tenham, mais tarde, propositalmente falseado tratados sobre técnicas de criação de violinos, de modo a enganar potenciais imitadores e conservar seus segredos.

"Existe algo de profundamente misterioso nisso", disse Ughi.

O que é menos misterioso é o valor dos instrumentos, alguns dos quais chegam a valer milhões de dólares.

Patrocinado pela gigante russa do gás Gazprom, o concerto da terça-feira foi descrito como "pré-première" da turnê mundial que os Solistas de Moscou pretendem fazer no próximo ano.

Por enquanto, os instrumentos de milhões de dólares voltarão para o museu de Moscou.

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