ESTREIA-Com De Niro, "Sem Limites" mistura suspense e fantasia

quinta-feira, 24 de março de 2011 16:06 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em tese, é a situação dos sonhos: um candidato a escritor, Eddie Morra (Bradley Cooper), acuado por um tremendo bloqueio criativo e um prazo pendente para entrega de um livro, tem acesso a um remédio milagroso, o NZT. Um comprimidinho, e magicamente o livro praticamente se escreve sozinho, agradando em cheio à editora. O que pode dar errado? Muita coisa, como se vê no andamento de "Sem Limites", uma mistura de fantasia, drama e suspense que tem Robert De Niro no elenco.

Também deve ter sido estimulante para uma roteirista experiente como Leslie Dixon (de "Uma Babá Quase Perfeita" e "Hairspray- Em Busca da Fama") imaginar, adaptando livro de Alan Glynn, todos os desdobramentos dessa felicidade química que se desenrola para Eddie. Desdobramentos perigosos, já que o NZT fornecido por um ex-cunhado bem duvidoso (Johnny Whitworth) ainda não foi testado nem aprovado nos órgãos competentes. E, pior ainda, o suprimento deve acabar um dia, até porque o cunhado some de cena.

No começo, é tudo maravilhoso. Eddie, que andava por baixo, triste, largado pela namorada Lindy (Abbie Cornish), sem dinheiro, agora é rico e bem-sucedido. Não por conta do livro - aliás, esse assunto some do filme, sem maiores explicações. O fato é que, com a impressionante agilidade mental que ganha quando ingere a pílula mágica, o rapaz resolve tornar-se um megainvestidor e ganha rios de dinheiro. Tanto e tão rápido que chama a atenção de um milionário, Carl Van Loon (Robert De Niro), que logo quer contratá-lo como seu guru no instável mundo dos negócios.

Tudo vai muito bem para Eddie, mas ele tem ainda aquele pequeno probleminha - o que fará quando acabar o seu estoque de NZT? Um agravante é que ele descobre que há outras pessoas na sua cola, possivelmente atrás de seu suprimento. Sem contar um mafioso russo (Andrew Howard), que ficou sabendo que isso existe. Tudo está ficando complicado demais, até porque o NZT não confere superpoderes, seus efeitos têm duração de algumas horas e há sintomas colaterais.

Como aventura, "Sem Limites" tem energia e um clima interessante, especialmente em sua primeira metade, conferidos pelo toque do diretor Neil Burger - que lidou melhor com o material de seu filme anterior, o bom "O Ilusionista". Neste novo trabalho, em algum momento, a receita desanda. É como se, da mesma forma que na cabeça de Eddie sob o efeito do NZT, as informações corressem com velocidade demais e o foco de muitas delas se perdesse.

Eventualmente, pode-se lembrar também de "A Rede Social", ao menos num sentido. Como Mark Zuckerberg, Eddie Morra entra para a galeria desses insuportáveis heróis nerds modernos, por quem, sinceramente, não há como torcer.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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