5 de Abril de 2011 / às 19:37 / 6 anos atrás

Prisão de artista chinês testa amplitude da repressão na China

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - A prisão do renomado artista chinês Ai Weiwei deu origem a um abaixo-assinado na Internet pedindo sua libertação, ao mesmo tempo que intelectuais liberais da China demonstram preocupação com a extensão da repressão lançada pelo regime para coibir dissidências.

As autoridades chinesas não deram informações sobre o paradeiro de Ai Weiwei, que foi impedido no domingo de pegar um avião de Pequim para Hong Kong e levado pela polícia de fronteiras. É quase certo que ele tenha se juntado à longa lista de dissidentes e ativistas detidos extra-oficialmente na China.

Ai Weiwei está fora de contato. Seu celular está desligado. Sua mulher, Lu Qing, disse à Reuters que a polícia não dará a ela nenhuma informação e que a prisão dele parece mais séria do que suas recentes desavenças com o governo.

"Desta vez é extremamente grave", disse ela. "Eles revistaram o estúdio dele, levaram discos, hardware e todo tipo de coisa, mas a polícia não nos contou onde ele está ou o que está procurando. Não há nenhuma informação sobre ele", afirmou a mulher.

Ai Weiwei, de 53 anos, é uma artista de vanguarda e designer que participou do projeto do estádio Ninho de Pássaro, construído para os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.

Seu desaparecimento provocou condenação de vários governos do Ocidente. Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha criticaram a China por recorrer cada vez mais a prisões extrajudiciais. O Partido Comunista, que governa o país, teme que dissidentes possam lançar chamados para manifestações de protesto inspiradas nos levantes populares do Oriente Médio e norte da África.

Nesta terça-feira, a embaixada dos EUA e a delegação da União Europeia em Pequim repetiram essas condenações, em um sinal de que o caso de Ai Weiwei pode provocar uma disputa diplomática.

Ativistas chineses estão cada vez mais preocupados com a detenção de Ai Weiwei. Grupos de apoio na China e exterior estão promovendo uma petição online para pedir que as autoridades o libertem.

"Hoje, cada um de nós poderá tornar-se um Ai Weiwei", escreveu Ai Xiaoming, uma documentarista e acadêmica do sul da China (sem parentesco com o artista), em um texto circula em sites chineses no exterior.

"O que eu quis dizer é que Ai Weiwei é um artista, por isso ele tem mais projeção do que muitos outros, mas há muitas outras pessoas enfrentando a mesma situação", declarou ela em uma conversa por telefone, nesta terça-feira.

O abaixo-assinado online para "libertar Ai Weiwei" foi lançado em um microblog no Twitter (http:/twitition.com/ao9m7), mas a forte censura do governo da China à Internet impede que a maioria dos chineses possa acessá-lo.

No início da madrugada de quarta-feira na China (tarde de terça-feira no horário de Brasília) a petição tinha mais de 2 mil assinaturas, das quais muitos aparentemente são chineses com habilidade e tecnologia para contornar as barreiras da censura.

Reportagem adicional de Sui-Lee Wee e Mike Collett-White em Londres e Daniel Trotta em Nova York

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