ESTREIA-"Sobrenatural" não herda os sustos de "Jogos Mortais"

quarta-feira, 20 de abril de 2011 12:37 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Conhecidos por criarem a longeva franquia "Jogos Mortais", os diretores e roteiristas James Wan e Leigh Whannell colocaram de lado os litros de sangue e a crueldade, mas não desistiram de infligir medo a seus espectadores. No novo "Sobrenatural", a dupla esquece o sadismo marcante em seus filmes e investe em aparições fantasmagóricas, maldições e demônios.

A história, a princípio, é muito similar aos celebrados "Terror em Amityville" (1979) e "Poltergeist" (1982), dos quais bebe: uma família se muda para uma casa nova para, em seguida, enfrentar um verdadeiro calvário nas mãos dos espíritos que ali habitam. No entanto, tal como mostra o trailer do filme, não é bem o local que é assombrado, mas sim a família.

A situação começa a ficar mais séria quando o jovem Dalton (Ty Simpkins, de "Foi Apenas um Sonho") simplesmente não acorda, para espanto dos médicos -- que não encontram um diagnóstico ou cura -- e dos pais, Josh (Patrick Wilson, de "Pecados Íntimos") e Renai (Rose Byrne, de "Tróia" e a nova Dr. Moira MacTaggert, de "X-Men: First Class"). Uma espécie de coma, aparentemente.

Enquanto Dalton dorme, estranhos acontecimentos cercam sua família. Portas se abrem, ouvem-se passos, figuras assustadoras encaram os moradores pelos cantos, escutam-se gritos, vultos assustam a todos. Enfim, todas aquelas conhecidas fórmulas do gênero, que inclui a trilha sonora para potencializar tensão.

Como Josh é reticente sobre a real existência de espíritos, e evita voltar para casa, sobra para a esposa Renai o pior dos papéis, o de conviver dia-a-dia com as assombrações. No entanto, como o espectador verá mais adiante, Josh tem mais a ver com toda essa história do que ele imagina, graças à intervenção de sua mãe (participação especial de Barbara Hershey, de "Cisne Negro") e da médium Elise (Lin Shaye, de "Quem Vai Ficar Com Mary?").

James Wan e Leigh Whannell criam uma trama que funciona grande parte do tempo, mas seus excessos tornam tudo o que se vê na tela irregular e, muitas vezes, enfadonho. Por exemplo, quando um dos personagens é assombrado por uma idosa, os amigos resolveram que seria mais assustador se ela parecesse uma bruxa. Deu o contrário, a figura é risível. E o que falar do demônio, que mais parece um vilão secundário saído da franquia "Star Wars"?

Outros pontos curiosos da produção são a cenografia, ambientação, maquiagem e figurinos. Apesar da eficiente fotografia, o além e seus habitantes estão mais para casa de terror de parque de diversões do que necessariamente um purgatório. Fumaça no chão, mortos perambulando com os braços levantados, rostos com excessiva maquiagem e, ainda, um vilão que toca órgão, enquanto seus prisioneiros choram, tornam tudo (não intencionalmente) engraçado.

"Sobrenatural" é o primeiro dos cinco filmes que James Wan e Leigh Whannell se encarregaram de fazer para a produtora canadense Alliance Films, juntamente com Oren Peli, Jason Blum e Steven Schneider (responsáveis pela franquia "Atividade Paranormal"). Embora existam algumas qualidades neste longa, este time parece ainda estar no aquecimento.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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