Bertolucci recebe prêmio honorário em Cannes

quarta-feira, 11 de maio de 2011 15:14 BRT
 

CANNES (Reuters) - O cineasta italiano Bernardo Bertolucci, mais conhecido por seu polêmico filme "O Último Tango em Paris", foi homenageado pelo Festival de Cinema de Cannes nesta quarta-feira, em reconhecimento a sua longa carreira.

Em uma cadeira de rodas, aos 71 anos, Bertolucci disse a jornalistas que tinha por um tempo perdido a confiança em sua capacidade de fazer filmes, mas a recuperou depois de assistir a filmes em três dimensões, como o sucesso de James Cameron "Avatar", de 2009.

"Eu estava convencido de que eu não podia filmar mais, mas depois percebi, há um ano, que ainda era capaz de imaginar os movimentos da câmera", disse Bertolucci, que está trabalhando em um filme 3D intitulado "Io e Te" (eu e você).

"Eu gostei muito de 'Avatar'... O 3D é fascinante para mim, mas eu não entendo por que só é usado em filmes de ficção científica e terror", acrescentou.

Bertolucci deve receber sua Palma de Ouro -- que homenageia um cineasta influente que nunca recebeu o prêmio máximo no Festival de Cannes -- das mãos do presidente do júri, Robert De Niro, na cerimônia de abertura do festival, nesta quarta-feira.

"Ele é muito lacônico... Vamos ver se ele terá umas poucas palavras a dizer, seria ótimo", disse Bertolucci, referindo-se a De Niro, que atuou em seu filme épico de 1976 Bertolucci"1900".

Poeta e escritor antes de se dedicar ao cinema, Bertolucci chegou à sua maturidade como diretor durante o auge do cinema italiano, em meados da década de 1960, e realizou mais de 20 filmes, de épicos históricos a dramas íntimos.

Os orçamentos de suas produções foram crescendo, assim como sua reputação, ao longo do último meio século, culminando com a cinebiografia de 1987 "O Último Imperador", que ganhou nove Oscar, incluindo o de melhor filme.

Conhecido por cinéfilos pelo seu tratamento rico das cores na tela, Bertolucci também garantiu sua reputação como um diretor corajoso e provocador no início da carreira, com o clássico de 1972 "O Último Tango em Paris".

O filme, que mostra cenas explícitas de sexo entre Marlon Brando e Maria Schneider, muito mais jovem que Brando na época, chocou o público dos Estados Unidos, onde os censores o classificaram como um filme pornográfico, mas agradou à crítica e ao público na França.

Na Itália, o filme teve uma corrida às bilheterias nos dias seguintes a seu lançamento, mas logo foi proibido por uma ordem da Suprema Corte. Seu lançamento só foi autorizado oficialmente 15 anos depois.

 
<p>O cineasta Bernardo Bertolucci (esquerda) recebe pr&ecirc;mio "Palma de Ouro" do presidente do Festival de Cinema de Cannes, Gilles Jacob (centro), na cerim&ocirc;nia de abertura da 64a edi&ccedil;&atilde;o do Festival. 11/05/2011 REUTERS/Eric Gaillard</p>