Drama sombrio sobre ataque em escola perturba Festival de Cannes

quinta-feira, 12 de maio de 2011 12:24 BRT
 

Por Nick Vinocur

CANNES (Reuters) - Crueldade gratuita e uma dinâmica familiar distorcida foram o foco das atenções em Cannes nesta quinta-feira, com a exibição de "We Need to Talk About Kevin", drama sombrio em que Tilda Swinton representa a mãe de um filho sádico.

Arrastando o Festival de Cinema de Cannes para um clima mais pesado no segundo dia do evento, o filme da diretora escocesa Lynne Ramsay abalou os críticos com seu retrato intransigente de uma relação mãe-filho caracterizada não por amor, mas por crueldade e ódio mútuos.

Tensão e ansiedade marcam o filme desde o início. A história começa com a personagem de Swinton, a norte-americana Eva, tentando juntar os cacos de sua vida após uma tragédia e enfrentando as reações de revolta de seus vizinhos.

Enquanto sua casa é vandalizada com tinta vermelha e as pessoas lhe dão tapas no rosto quando ela passa na rua, Eva se isola e recua para seu passado, recordando sua vida familiar em uma série de flashbacks extensos.

Ramsay mostra o nascimento do filho de Eva e o desenvolvimento dele, de bebê com cólicas para garoto taciturno, representado por Ezra Miller, que parece determinado a punir sua mãe de todas as maneiras possíveis -- desde derrubar sua comida no chão e matar o hamster de estimação de suas irmãs até o clímax de violência do filme.

TEMA NÃO É A VIOLÊNCIA

Apesar de algumas cenas de horror enquadradas cuidadosamente, Ramsay disse que a intenção do filme não foi mostrar violência, mas tratar do tabu psicológico de uma dinâmica mãe-filho disfuncional.

"Às vezes uma criança nasce e você não sabe quem ela é", disse a diretora a jornalistas em coletiva de imprensa. "O filme não é sobre um ataque a uma escola, é sobre um relacionamento mãe-filho. É sobre o sentimento de culpa."   Continuação...