16 de Maio de 2011 / às 15:16 / 6 anos atrás

Aguardado filme de Terrence Malick divide opiniões em Cannes

Sean Penn (esq), Jessica Chastain e Brad Pitt na exibição do filme "A Árvore da Vida" do diretor Terrence Malick, no Festival de Cannes. 16/04/2011 REUTERS/Eric Gaillard

Por Mike Collett-White e Nick Vinocur

CANNES (Reuters) - A longa espera pela volta do diretor norte-americano Terrence Malick às telas terminou nesta segunda-feira com um misto de aplausos calorosos e vaias. O drama “A Árvore da Vida” aparentemente dividiu as opiniões da crítica no Festival de Cinema de Cannes.

O drama estrelado pelos atores Brad Pitt e Sean Penn narra a história de uma família do sul dos Estados Unidos na década de 1950, contra um pano de fundo de fotografia majestosa, uma trilha sonora grandiosa, cenários bucólicos e de outro mundo e um elenco de primeira grandeza.

No final do filme, que está na competição oficial pela Palma de Ouro de melhor filme e é amplamente visto como o longa mais aguardado a ser exibido em Cannes em anos, ouviu-se um misto de aplausos altos e vaias igualmente acirradas.

Brad Pitt representa o pai severo de três meninos em uma cidade de classe média comportada que está determinado a ensinar disciplina e resistência a seus filhos -- ao mesmo tempo em que ele perde seu emprego em uma fábrica e sua confiança no mundo material vai sendo erodida.

“O pai é o provedor, e no filme você vê que o sonho americano, na visão que ganhamos dele enquanto crescíamos, não está funcionando”, disse Pitt, que também produziu o filme, em coletiva de imprensa após a exibição.

Conhecido por ser avesso à mídia, Malick não compareceu à coletiva de imprensa -- uma opção rara e incomum em um festival que costuma focar as atenções sobre os diretores. Os atores defenderam sua decisão.

“Ele quer focar a criação do produto, e não sua venda”, disse Pitt, falando de Malick, que muitas vezes escreveu partes do roteiro do filme no próprio dia em que as cenas seriam rodadas. “É estranho um artista esculpir uma obra e depois ser vendedor dela.”

Em “A Árvore da Vida”, os personagens são postos em um plano igual ao do mundo natural e a câmera se demora sobre cenas como as de cânions profundos, vulcões em erupção, explosões na superfície do sol e florestas habitadas por dinossauros tranquilos.

O filme é o mais comentado dos 20 trabalhos da competição principal de Cannes, e sua première mundial levou ao tapete vermelho astros da estatura de Pitt e Sean Penn.

Sua exibição também marcou a metade do festival deste ano, sobre o qual muitos críticos vêm se queixando de que a qualidade geral dos filmes na competição não condiz com o brilho e o glamour do evento.

Os organizadores parecem ter recebido a injeção de ânimo esperada na competição com o filme de Malick, diretor que ficou conhecido por ter levado 20 anos entre seu segundo filme, “Cinzas no Paraíso”, de 1978, e o terceiro, “Além da Linha Vermelha” (1998).

“Linha Vermelha”, também estrelado por Sean Penn, valeu a Malick indicações ao Oscar pelo roteiro e a direção. Apesar de sua produção exígua, Malick é um dos mais respeitados cineastas dos EUA em atividade.

O sigilo que cercou “A Árvore da Vida” e a aversão de Malick ao tipo de publicidade procurado ativamente pela maioria dos cineastas conferiram ao filme um status quase mítico entre cinéfilos, com trailers e uma sinopse oficial que revelavam pouco.

Concebido há pelo menos cinco anos, depois de Malick ter concluído seu quarto trabalho, “O Novo Mundo”, estrelado por Colin Farrell, o filme estaria pronto para ser exibido no ano passado, mas foi adiado para ser mais editado.

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