Diretor dinamarquês se diz "chocado" com expulsão de Cannes

quinta-feira, 19 de maio de 2011 19:15 BRT
 

Por Mike Collett-White

CANNES (Reuters) - O cineasta dinamarquês Lars von Trier disse na quinta-feira que está "chocado" por ter sido expulso do Festival de Cinema de Cannes deste ano pelo fato de ter dito em coletiva de imprensa, como brincadeira, que era nazista e simpatizava com Hitler.

Falando ao telefone desde um hotel na saída do resort da Riviera francesa, o diretor independente de 55 anos disse que houve um "mal-entendido", mas que ele se comportou de "um jeito muito estúpido e pouco profissional".

"Estou muito além de decepcionado, estou muito farto da história inteira", disse à Reuters o cineasta, famoso por ser provocante, no dia em que a decisão sem precedentes de Cannes dominou as conversas no evento que é a maior vitrine de cinema no mundo.

"Tenho que admitir que isto foi um grande choque para mim."

Na bizarra coletiva de imprensa da quarta-feira, Von Trier, que estava em Cannes para falar de seu filme "Melancolia", lançou-se em um monólogo desconexo sobre sua ascendência judaica/alemã, antes de fazer as declarações que levaram a sua expulsão.

Ele disse em tom de brincadeira que era nazista, que simpatizava "um pouquinho" com Hitler, qualificou Israel de "pé no saco" e resmungou a frase "a solução final para os jornalistas".

Na entrevista da quinta-feira, em que falou em inglês, Von Trier disse que tinha perdido de vista o fato de que estava falando a um público imenso, através da mídia internacional.

"Eu penso que estou conversando com meus amigos no café, e, de repente percebo que estou falando com o mundo, que não acha graça nenhuma."   Continuação...

 
O cineasta Lars Von Trier chega ao tapete vermelho para a exibição do filme Melancolia na 64a edição do Festival de Cannes, em 18 de abril de 2011. Von Trier afirmou ter ficado chocado com sua expulsão do Festival deste ano.  18/05/2011  REUTERS/Eric Gaillard