20 de Maio de 2011 / às 20:50 / 6 anos atrás

Expulsão de Lars von Trier deixa sombra sobre Festival de Cannes

Por Mike Collett-White e Nick Vinocur

CANNES (Reuters) - O Festival de Cinema de Cannes se aproximou do final na sexta-feira, ainda em estado de choque devido à expulsão inesperada do diretor dinamarquês Lars von Trier, que lançou uma imagem negativa sobre um evento que ficaria marcado por seus filmes e astros.

A maior vitrine mundial do cinema se encerra no domingo com a glamurosa cerimônia de premiação, na qual serão revelados os ganhadores da cobiçada Palma de Ouro de melhor filme e os outros prêmios dados a filmes da competição principal, que engloba 20 trabalhos.

Mas os filmes foram reduzidos a uma atração secundária desde a quarta-feira, quando Von Trier falou, brincando, que era nazista e simpatizante de Hitler, num acesso de raiva que levou o festival a tomar a medida inusitada de expulsá-lo do evento.

Von Trier disse à Reuters que a decisão foi um choque e reiterou que lamentava se tinha causado ofensa. Mas acrescentou que sua saída de um festival no qual ganhou a Palma de Ouro em 2000 pode reforçar suas credenciais de rebelde.

Seu filme “Melancolia”, estrelado por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg nos papéis de irmãs que enfrentam a aniquilação em uma colisão cósmica, permanece na competição, o que significa que, pelo menos teoricamente, pode receber prêmios, incluindo a própria Palma de Ouro.

Para muitos cinéfilos, o escândalo gerou um clima sombrio em um festival que deveria ter sido lembrado por sua seleção ousada de filmes, pelos astros de primeira linha que passaram pelo tapete vermelho e pelo mercado de compra e venda de filmes em plena atividade.

“Como sou amante de vinhos, direi que Cannes 2011 está sendo uma safra boa, com muita diversidade”, disse Annette Insdorf, professora de cinema na Universidade Columbia.

Angelina Jolie, Brad Pitt, Sean Penn, Penelope Cruz, Johnny Depp, Marion Cotillard, Woody Allen e Robert de Niro, este presidente do júri, percorreram o tapete vermelho, onde se juntaram a eles uma multidão de outros grandes nomes da música e do cinema que participam do circuito de festas agitadas de Cannes.

TERRENCE MALICK ENCERRA ESPERA PROLONGADA

Terrence Malick voltou a Cannes com seu ansiosamente aguardado quinto longa-metragem, “A Árvore da Vida”, enquanto quatro mulheres participaram da competição como diretoras, depois de nenhuma no ano passado, e o blockbuster “Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas” levou Hollywood à cidade francesa.

Com 18 dos 20 filmes da competição principal já tendo sido exibidos para os críticos e a mídia, seis ou mais estão sendo vistos como candidatos sérios à Palma de Ouro, um dos prêmios de cinema mais cobiçados do mundo, depois dos Oscar.

Este ano dois diretores de espírito independente levaram suas grandes ideias à telona. Seus dois filmes deixaram os críticos fortemente divididos.

O semi-recluso Malick, que evitou os holofotes de Cannes a tal ponto que jornalistas franceses, em tom de brincadeira, chegaram a questionar sua existência, apresentou sua visão da vida em um drama familiar estrelado por Brad Pitt e que inclui imagens do espaço, vulcões e dinossauros.

O provocador dinamarquês Von Trier polarizou igualmente as opiniões da crítica especializada em Cannes, famosa por sua seletividade. Mas a maioria dos críticos concordou que as cenas de uma colisão cósmica que assinala o fim de toda a vida, em “Melancolia”, foram poderosas.

Duas histórias ligeiras e agradáveis estão entre os favoritos deste ano -- algo incomum em Cannes, onde filmes sombrios e sérios tendem a dominar.

“The Artist” é um ousado romance mudo de Hollywood, em preto e branco, que leva os espectadores de volta ao cinema mudo dos anos 1920, e o finlandês Aki Kaurismaki levou ao festival a comédia tocante e estilizada “Le Havre”, que deliciou o público.

Os irmãos belgas Dardenne têm uma chance de conquistar uma terceira Palma de Ouro, o que seria um recorde, com seu popular “The Kid With a Bike”, e outro filme sobre uma infância problemática, “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, de Lynne Ramsay, liderou entre os trabalhos assinados por mulheres.

O dinamarquês Nicolas Winding Refn parece estar entre os cotados para o prêmio principal com seu filme violento sobre perseguição, “Drive”, estrelado por Ryan Gosling, e em “This Must Be the Place”, de Paolo Sorrentino, Sean Penn faz um roqueiro gótico desiludido, de batom, delineador nos olhos e voz afetada.

Centenas de outros filmes foram apresentados fora da competição principal, em outras seções do festival e no mercado. O trabalho que gerou mais repercussão foi “La Conquête” (A Conquista), um filme biográfico sobre a campanha eleitoral vitoriosa do presidente francês Nicolas Sarkozy, acompanhada pelo colapso de seu casamento.

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