Lyon terá produção em movimento de "Tristão e Isolda", de Wagner

terça-feira, 7 de junho de 2011 13:13 BRT
 

Por Michael Roddy

LYON, França (Reuters Life!) - "Tristão e Isolda", de Richard Wagner, é uma ópera sabidamente estática na qual os dois personagens centrais ficam parados sobre o palco, cantando por quase quatro horas.

Em uma nova produção da obra apresentada no teatro Opera de Lyon, que fez sua estreia no sábado, eles o fazem em um cenário que se movimenta, e ao longo da noite os dois personagens e a platéia se sentem carregados para um paraíso wagneriano.

O diretor Alex Olle, do coletivo catalão de espetáculos "La Fura dels Baus", que tornou-se mundialmente conhecido com a cerimônia de abertura da Olimpíada de Barcelona, em 1992, e desde então passou a trabalhar também com ópera, encontrou uma maneira de conferir movimento ao trabalho de Wagner, conhecido por ser inerte, em uma produção que será apresentada até 22 de junho.

Mas sua versão da história do amor malfadado entre Isolda, filha do rei da Irlanda, e o cavaleiro Tristão, não é um sucesso absoluto, como reconheceu o próprio Olle.

"Talvez eu tenha incluído alguns elementos demais, mas esta é minha primeira ópera de Wagner, e, para mim, ela diz respeito à passagem do tempo", disse o diretor, que encarou a produção com pouco tempo de preparo depois de o diretor anterior ter se afastado, como ele contou à Reuters após a première.

Um desses elementos em excesso é um anel de fogo que cerca os amantes condenados à tragédia. Sim, é Wagner, mas é a ópera errada.

Mesmo assim, o público na noite de estreia ficou maravilhado quando Olle foi apresentando um efeito visual após outro, muitos deles como projeções de vídeo, todos visando iludir a mente do espectador e fazê-lo esquecer que a obra é de fato aquilo que os céticos em relação à ópera mais temem: duas pessoas em pé sobre o palco, cantando por horas a fio.