ESTREIA-"Namorados para Sempre" traz indicada ao Oscar

quinta-feira, 9 de junho de 2011 15:10 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O que une e o que separa os casais pode ser simplesmente a mesma coisa. Aquilo que, no começo da relação, é uma qualidade, anos depois pode se transformar num defeito insuportável.

No doloroso "Namorados para Sempre", Dean (Ryan Gosling, de "A Garota Ideal") e Cindy (Michelle Williams, "Ilha do Medo") se conhecem, se apaixonam, casam, têm uma filha e o tempo consome a ternura.

Dirigido e coescrito por Derek Cianfrance, "Namorados para Sempre" investiga os mecanismos que aproximam as pessoas e as primeiras fraturas de um relacionamento que culminam com a separação. Para isso, a narrativa entrecorta passado e presente, dois tempos da descoberta e da perda. Há uma elipse grande entre os personagens da qual o roteiro dá conta muito bem, deixando nas entrelinhas tudo o que é preciso saber daqueles anos que não são mostrados no filme.

Como ao centro de "Namorados para Sempre" está o arco do casal de protagonistas, a força vem, é claro, das duas interpretações. Michelle (indicada ao Oscar) e Gosling encontram a distinção que existe entre o passado e o presente de Dean e Cindy. As mudanças pelas quais passam os personagens são críveis porque os atores trazem à tona exatamente o que há de mais humano nessas pessoas: a fragilidade.

Dean é romântico, apaixonado e quer ser feliz. Cindy quer estudar medicina, tem um namorado, Bobby (Mike Vogel), a quem ama, mas que logo perceberá que é alguém em quem não pode confiar.

Amar, diz o filme, envolve renúncias, autossacrifícios. A direção de Cianfrance adota tons diferentes para contar os dois momentos do casal. Texturas e cores servem para diferenciar o estado dos personagens em cada momento.

Já a trilha sonora de Grizzly Bear ajuda a criar um clima -- especialmente quando o par está se apaixonando, criando um ar um tanto onírico. É um clima de sonho, aliás, que persiste enquanto Dean e Cindy estão se conhecendo, se descobrindo.

Mais tarde, anos depois, quando a realidade os desperta, e eles percebem que viver a dois é mais complicado do que apenas estar apaixonado, pode ser tarde demais. Ainda assim, "Namorados para sempre" diz que amar vale a pena, mesmo quando o futuro é incerto.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Michelle Williams (dir) e Ryan Gosling divulgam o filme "Namorados para Sempre" no Festival de Cannes, em 2010. REUTERS/Jean-Paul Pelissier