ESTREIA-"Chantal Akerman, de Cá" investiga obra de cineasta

quinta-feira, 9 de junho de 2011 15:08 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Cinema é cinema é cinema é cinema. Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa." Essa é a resposta que a cineasta belga Chantal Akerman dá quando perguntada sobre sua arte no documentário "Chantal Akerman, de Cá", que estreia no Brasil na sexta-feira.

À primeira vista parece evasiva, mas quem conhece seus filmes, como "Jeanne Dielman" (1975), sabe que não é tão simples assim explicar sobre o que são, ou racionalizar como são feitos.

O cinema de Chantal - que teve uma grande retrospectiva no Brasil em 2009 - desafia explicações e é, em alguns momentos, um cinema de sentido, daquele que se mergulha no filme, e se esquece o lado de fora, vive-se outra vida dentro da tela.

Por isso, é bem acertada a escolha dos diretores Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira em deixar o fluxo do discurso dominar o documentário. Sem se preocupar em desvendar a cineasta, ou algo parecido, o filme deixa que Chatal fale, e ela tem muito a dizer.

O filme consiste numa entrevista de cerca de uma hora, com a câmera parada a uma boa distância de Chantal, sem cortes ou movimentos.

E durante esse período, Ferreira a entrevista, disseca seu cinema, suas influências, seus gostos. Pode parecer estranho, mas há um propósito nisso: não apenas entrevistar a cineasta, mas fazer um filme ao estilo dela. Se nos primeiros minutos há um grande estranhamento, depois resta o fascínio pela figura e pelas respostas da diretora.

Para quem gosta e conhece o cinema de Chantal, é um mergulho profundo em sua obra, falando de filmes como "La Captive" (2000), inspirado em "A Fugitiva", de Proust, o próprio "Jeanne Dielman", e o curioso "Hotel Monterey" (1972).

Há uma dissecação esmiuçada, e é exatamente isso que Ferreira e Beck fazem, dotados de uma curiosidade sadia daqueles que estão diante de alguém cujo trabalho admiram e têm a chance de fazer quaisquer perguntas.

Chantal em si, mesmo vista à distância, é uma figura interessante. Articulada, culta e inteligente - isso já se percebe por seus filmes - a cineasta fala de forma clara, sem elaborar teorias mirabolantes ou explicações exibicionistas. Ela vai à essência de seu cinema, comentando aspectos narrativos, técnicos e até emocionais.   Continuação...