13 de Julho de 2011 / às 15:44 / 6 anos atrás

Repudiado no Parlamento, Murdoch retira proposta por BSkyB

Presidente executivo da News Corp, Rupert Mogul, deixa seu escritório em Londres. Murdoch retirou sua proposta de aquisição da emissora britânica BSkyB nesta quarta-feira, diante da hostilidade de todos os partidos no Parlamento após alegações de atos criminosos generalizados em um de seus tablóides. 13/07/2011Luke MacGregor

Por Kate Holton e Georgina Prodhan

LONDRES (Reuters) - Rupert Murdoch retirou sua proposta de aquisição da emissora britânica BSkyB nesta quarta-feira, diante da hostilidade de todos os partidos no Parlamento após alegações de atos criminosos generalizados em um de seus tablóides.

Com a iniciativa, o empresário se adiantou em algumas horas a uma votação planejada no Parlamento que contava com o apoio de todos os partidos para uma moção não compulsória que exortaria o magnata de mídia australiano a desistir de sua oferta de compra, que representava uma parte importante de sua expansão global na televisão.

"A News Corp. anuncia que não pretende mais fazer uma oferta por todo o capital acionário emitido e a ser emitido da BSkyB que já não pertence a ela", disse a empresa holing do império global de mídia.

A News Corp. é dona de 39 por cento da BSkyB, proprietária da Sky News e de vários canais de TV paga lucrativos.

"Ficou claro que está difícil demais avançar neste clima", disse o vice-presidente da empresa Chase Carey em comunicado, acrescentando que a News Corp. continuará a ser "uma acionista de longo prazo engajada".

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que vem enfrentando perguntas incômodas sobre suas próprias relações com Murdoch, saudou a notícia: "A empresa precisa se concentrar em limpar a sujeira espalhada e colocar a casa em ordem", disse ele através de um porta-voz.

O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, disse que foi uma vitória para aqueles que se opuseram à ampliação do poder de Murdoch.

UNIÃO NACIONAL

Mais cedo nesta quarta, Cameron disse ao Parlamento que Murdoch deveria desistir do negócio enquanto a polícia investiga alegações que o jornal News of the World teria grampeado mensagens de voz de milhares de pessoas, em busca de assuntos que rendessem notícias, e de que teria pago propinas a policiais em troca de informações.

O magnata da imprensa, que há décadas é temido e também cortejado por políticos britânicos de todos os partidos, fechou o tablóide dominical, que existiu por 168 anos, no domingo, em um esforço para frear o escândalo e garantir a compra da BSkyB. Mas não houve como frear a enxurrada de acusações, e a aquisição da emissora pareceu politicamente inviabilizada.

Manifestando um grau de união nacional raramente visto a não ser em tempos de guerra, todos os partidos britânicos se posicionaram a favor de uma moção parlamentar para exortar Murdoch a desistir da proposta de compra.

O comunicado de quatro frases, que ressalta o engajamento da News Corp. com a BSkyB, deixa aberta a porta para uma nova oferta de compra das ações dos outros acionistas em algum momento futuro. Mas é provável que o escândalo continue no centro das atenções por um bom tempo ainda, na medida em que a investigação policial continuará por meses e haverá um inquérito público.

Vários ex-funcionários do grupo britânico de jornais de Murdoch, o News International, foram presos este ano depois de a polícia ter reaberto as investigações que havia encerrado em 2007, após a condenação do correspondente do News of the World que cobria a família real.

Entre os ex-funcionários suspeitos de grampear telefones e subornar policiais estão o ex-editor chefe Andy Coulson, contratado por Cameron para ser seu porta-voz em 2007, depois de o escândalo dos grampos ter vindo à tona pela primeira vez.

Coulson deixou o gabinete do premiê em janeiro, e, como outros funcionários do News of the World, nega ter conhecimento de quais delitos que possam ter sido cometidos.

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