14 de Julho de 2011 / às 16:38 / em 6 anos

Murdoch e filho vão comparecer diante do Parlamento britânico

Presidente-executivo da News Corp, Rupert Murdoch, deixa seu escritório em Londres. Rupert e James Murdoch vão comparecer ao Parlamento britânico na próxima terça-feira para responder a perguntas sobre supostos crimes cometidos por um dos jornais da família, após terem inicialmente recusado o convite dos parlamentares, informou nesta quinta-feira a News Corp. 13/07/2011Luke MacGregor

Por Kate Holton e Keith Weir

LONDRES (Reuters) - Rupert e James Murdoch vão comparecer ao Parlamento britânico na próxima terça-feira para responder a perguntas sobre supostos crimes cometidos por um dos jornais da família, após terem inicialmente recusado o convite dos parlamentares, informou nesta quinta-feira a News Corp.

A companhia anunciou que pai e filho vão comparecer ao Parlamento depois que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, criticou a decisão inicial dos Murdoch de não atender ao pedido.

Rebekah Brooks, chefe-executiva da News International e que era a editora do tablóide News of the World quando teria acontecido o escândalo de grampos telefônicos que está no centro da polômica envolvendo a News Corp, também vai comparecer.

Depois que a polícia britânica prendeu um nono suspeito de envolvimento nos grampos telefônicos, identificado pela mídia como ex-editor sênior do jornal News of the World, ganhou força o chamado feito pelo governo para que o organismo regulador da mídia decida se a empresa de Murdoch tem condições de administrar estações de televisão britânicas.

Murdoch, de 80 anos, já foi forçado a fechar o News of the World e recuar em seu maior plano de aquisição até agora -- a compra da operadora britânica de TV paga BSkyB -- devido ao ultraje provocado por acusações de que repórteres teriam acessado mensagens telefônicas particulares.

Até agora, Murdoch e seu filho James, o herdeiro de seu império, têm defendido a executiva Rebekah Brooks, que comanda o braço dos jornais britânicos da empresa e era amiga do primeiro-ministro David Cameron, até que este reiterou chamados para que ela seja demitida.

Brooks concordou na quinta-feira em comparecer diante do comitê na próxima semana, mas disse que o inquérito policial pode limitar o que ela poderá dizer.

Murdoch, que é cidadão norte-americano, disse que só vai depor no inquérito público anunciado por Cameron depois de serem levantadas perguntas sobre o papel exercido por alguns policiais no escândalo e sobre as relações entre políticos britânicos e proprietários de mídia.

PARLAMENTO HOSTIL

A recepção que os Murdoch terá no Parlamento com certeza será hostil. Na quarta-feira, durante um debate acalorado sobre o escândalo dos grampos, Dennis Skinner, um deputado trabalhista veterano, descreveu Murdoch como "este câncer no organismo político". Murdoch e outros executivos seniores negam qualquer conhecimento das práticas alegadas.

O vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, exortou os Murdoch a enfrentarem as críticas, e um representante do Parlamento emitiu uma convocação para que compareçam.

"Eles não podem se esconder deste nível de angústia, revolta e até mesmo interesse público", disse Clegg a jornalistas.

"Quando alguém ocupa essa posição de poder, ela tem responsabilidade perante os milhões de pessoas que consomem os produtos de seus jornais e emissoras de televisão."

As alegações sobre grampos telefônicos, que chegaram ao auge no momento em que a proposta de compra da BSkyB por Murdoch deveria ser aprovada, este mês, agora estão reverberando em todo o mundo.

Alguns deputados dos EUA pediram uma investigação para averiguar se a News Corp. infringiu leis dos Estados Unidos, e na Austrália, onde Rupert Murdoch nasceu, a primeira-ministra disse que seu governo pode rever as leis de imprensa.

Murdoch, que já é dono de 39 por cento da BSkyB, suspendeu na quarta-feira sua proposta de compra do restante das ações da operadora, por 12 bilhões de dólares, depois de políticos britânicos terem se unido para lançar um chamado para que ele desistisse da transação.

A News Corp., sediada nos EUA, vem sendo abalada por uma série de escândalos devido a alegações de que seus jornalistas e investigadores contratados por ela a serviço do tablóide News of the World teriam grampeado as mensagens de voz de milhares de pessoas, desde vítimas de crimes notórios até familiares de soldados mortos na guerra do Afeganistão.

As alegações, que incluem o pagamento de propinas a policiais em troca de informações, animaram parlamentares britânicos de todos os partidos a se unirem em oposição a um empresário habituado havia anos a ser cortejado pela elite política.

Reportagem adicional de Stefano Ambrogi, Michael Holden, Paul Thomasch em Nova York e Rob Taylor em Canberra

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