Arquivo imortaliza cenário do punk rock da Alemanha oriental

quarta-feira, 20 de julho de 2011 12:08 BRT
 

Por Kalina Oroschakoff

BERLIM (Reuters Life!) - Um pioneiro do punk rock da antiga Alemanha Oriental comunista (RDA) abriu o primeiro arquivo mundial sobre a cultura jovem da RDA que sobreviveu à opressão e infiltração por parte do regime repressor daquele Estado.

Michael Boehlke, que liderou uma banda chamada Planlos ("Sem Objetivo"), disse à Reuters que a opção por ser roqueiro punk afetou cada aspecto da vida das pessoas que a fizeram.

Ser punk no Estado comunista significava o fim de qualquer perspectiva de emprego ou ensino superior. Interrogatórios policiais, prisões e pressão da polícia secreta para tornar-se informante sobre o cenário punk local caracterizavam o cotidiano dos roqueiros.

"A polícia me interrogava todos os dias", disse Boehlke, acrescentando que passar tempo na prisão era uma possibilidade sempre presente para todos.

Depois que ele usou uma camiseta feita em casa ostentando o grito de batalha "quando a justiça vira injustiça, a resistência se torna dever", ele foi ameaçado com três anos de prisão, até que sua namorada concordou em servir de informante. Boehlke disse que ela não revelou à polícia nada de realmente importante sobre o mundo punk.

E, embora a temida polícia secreta Stasi nunca tenha conseguido infiltrar sua banda, a Planlos, dois integrantes de outra banda punk importante da Alemanha Oriental, a Wutanfall ("Ataque de Raiva") acabaram revelando ser informantes do governo.

Para levar essa história a um público maior, Boehlke colecionou 5.000 fotos, horas de material em vídeo 8 mm e as fitas originais de quase a íntegra da música punk alemã oriental, colocando tudo em um arquivo em Pankow, na zona nordeste de Berlim.

"Não quero que algum alemão ocidental venha me dizer como era o cenário punk na Alemanha Oriental", disse Boehlke, que hoje tem cabelos grisalhos curtos e usa terno em lugar do couro preto e das roupas rasgadas de um punk.   Continuação...