ESTREIA-"Fiz 'Lola' para poder falar dos idosos", diz diretor

quinta-feira, 21 de julho de 2011 13:04 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "O filme é um tributo às avós de todo o mundo". Foi assim que o filipino Brillante Mendoza definiu em entrevista, em São Paulo, o longa "Lola", que estreia nesta sexta-feira.

Na trama, as vidas de duas avós se cruzam nas ruas de Manila por conta de um crime: o neto de uma delas é acusado de matar o da outra para roubar um celular. "Lola" significa avó em tagalo, língua falada por cerca de um terço da população filipina.

Sepa (Anita Linda) tenta conseguir dinheiro para fazer o enterro do neto, enquanto Puring (Rustica Carpio) cuida do seu na cadeia, levando comida e procurando uma forma de livrar o rapaz da pena. Pelas ruas chuvosas de Manila, essas duas mulheres são o retrato da determinação e da força. Problemas de saúde não são impedimento para se manterem firmes em seus propósitos. Ambas são donas de suas razões.

A narrativa entrecorta as duas histórias. Assim, acontecimentos na vida de uma das avós ecoam na vida da outra. Num primeiro momento, claro, há uma hostilidade entre elas. Aos poucos, percebe-se que a luta de ambas é pela dignidade de seus netos. O filme as acompanha com uma meticulosidade quase documental, seguindo de perto a trajetória dessas duas senhoras pelas ruas abarrotadas de gente e água, na estação chuvosa das Filipinas, em junho.

Em sua passagem por São Paulo, depois de uma visita a São Luís (MA), onde "Lola" abriu o 1o Festival Internacional Lume de Cinema, Mendoza comemorou sua estreia no circuito comercial brasileiro - apesar de sua filmografia ter obras premiadas, como "Kinatay", que lhe rendeu o prêmio de direção em Cannes em 2009.

"Meus filmes são pouco comerciais. Nem no meu país eles são lançados em cinema. 'Lola' foi exibido apenas em algumas universidades das Filipinas. O público de lá se interessa apenas por blockbusters, filmes cheios de efeitos e vindos de Hollywood", afirmou.

Até para filmar, Mendoza conta que enfrenta dificuldades. Só conseguiu dinheiro para fazer "Lola" depois de premiado em Cannes. "Tentamos fazer o longa por dois anos, mas não conseguíamos dinheiro. No fim, essa demora foi positiva, pois tive mais tempo para elaborar. Eu queria falar da vida das pessoas idosas, pouco vistas na sociedade".

As filmagens, como é marca registrada do diretor, duraram apenas dez dias.

As duas atrizes são bastante conhecidas e respeitadas nas Filipinas. Anita, por exemplo, tem em seu currículo mais de 200 filmes. No entanto, foi preciso um pouco de esforço de Mendoza para convencê-las a trabalhar num filme pequeno e independente - mas ele não abria mão da dupla.   Continuação...