ESTREIA-Em "Mamute", Depardieu usa forma física a seu favor

quinta-feira, 4 de agosto de 2011 11:37 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Poucos atores sabem tirar proveito de sua (falta de) forma atualmente, como o francês Gérard Depardieu. Na comédia dramática "Mamute", ele é a própria figura do título.

Embora a referência explícita seja à moto do personagem, é ele, Serge, quem se comporta como um mamute, com seu porte físico avantajado - não por horas de academia, mas por conta do consumo de muito presunto, especialmente da fábrica de onde ele acaba de se aposentar.

Dirigido e roteirizado pela dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine, "Mamute" se apoia no talento de Depardieu para criar um tipo estranho, mas ao mesmo tempo especialmente cativante em sua presença em cena.

Serge é sempre um estranho, mesmo em sua casa, ao lado de sua mulher, Catherine (Yolande Moreau, de "Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres"). Seu jeito desengonçado serve como uma metáfora para a busca de um lugar no mundo nesse novo momento em sua vida.

Ele acaba de se aposentar na fábrica de presunto, mas ainda precisa acertar toda a papelada para receber sua aposentadoria. Ele sai em uma cruzada em busca de seus antigos empregadores, em diversos cantos da França, para conseguir documentos. É sua mulher quem o impulsiona em busca de algum objetivo.

Com seu cabelo comprido, sua moto envenenada e sua cara de mau, Serge parece um herdeiro claro da contracultura - ou melhor, um sujeito que até hoje não esqueceu a contracultura. Assim como não deixou para trás um fantasma do passado, uma figura misteriosa, interpretada por Isabelle Adjani.

Em sua jornada, Serge reencontra pessoas e conhece outras novas, como uma interpretada por Anna Mouglalis, e um açougueiro de supermercado, interpretado pelo codiretor Kerven.

Mas a pessoa mais marcante - tanto para o protagonista quanto para o público - é sua sobrinha Solange, que prefere ser chamada de Miss Ming, que também é o nome da intérprete. Na vida real, para essa jovem poetisa, artista plástica e agora também atriz, o autismo foi a força motriz e a arte, sua libertação. Na pele da personagem mais divertida de "Mamute", ela rouba a cena do veterano Depardieu. É Miss Ming, aliás, quem o ajuda a reencontrar o gosto pela vida, pelas descobertas e vitórias.

A dupla de diretores Kervern e Delépine usa diversos registros para contar visualmente a história de Serge. São opções estéticas que só enriquecem o filme, como as cenas com a luz estourada ou outras, granuladas. Aliada à interpretação sincera de Depardieu, esses recursos fazem de "Mamute" mais do que um estudo de personagem.

(Alysson Oliveira, do Cineweb)

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