4 de Agosto de 2011 / às 14:42 / em 6 anos

ESTREIA-Improvisação marca humor de "Quero Matar meu Chefe"

Charlie Day na estreia de "Quero Matar meu Chefe", em Hollywood. 08/07/2011 REUTERS/Mario Anzuoni

SÃO PAULO (Reuters) - Uma qualidade apreciada nas comédias é a capacidade de seus protagonistas serem espontâneos, readaptando suas ações e falas sem destruir o frágil equilíbrio entre surpresa e sutileza, que caracteriza o bom humor.

O cinema está repleto de exemplos, como os atores Buster Keaton, Charles Chaplin, Jerry Lewis, Peter Sellers, entre outros ícones que marcam o imaginário cinéfilo.

A improvisação é, por esse princípio, um imperativo para muitas produções, que se salvam pela competência dos intérpretes por trás dos personagens.

No ano passado, foi o que se pode perceber em “Uma Noite Fora de Série”, com Tina Fey e Steve Carell, “Gente Grande”, com Adam Sandler, e, agora, “Quero Matar meu Chefe”, de Seth Gordon, conhecido por dirigir bem-sucedidas séries de comédia televisivas como “Modern Family” e “The Office”.

Embora esta produção tenha um roteiro redigido a seis mãos (John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein e Michael Markowitz, todos vindos da TV), quem traz agilidade ao que se vê na tela são os atores, cuja liberdade para recriar o texto (encorajados pelo próprio diretor) é transparente. Prova disso são os inúmeros erros de gravação mostrados durante os créditos finais.

Nem por isso a trama perde complexidade. Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudeikis) são três amigos com um problema em comum: o trio odeia, cada um por seu motivo, os chefes de trabalho.

O abusivo Dave Harken (Kevin Spacey) trata Nick como capacho, inviabilizando sua prometida promoção. A dentista ninfomaníaca Julia (Jennifer Aniston) assedia sexualmente Dale, comprometendo o noivado do rapaz. Enquanto isso, Bobby (Colin Farrell), um cocainômano neurótico, destrói sistematicamente a empresa que Kurt iria herdar.

Não demora muito para os três chegarem à conclusão de que seus chefes devem morrer, a partir de uma divertida referência aos filmes “Pacto Sinistro” (de Alfred Hitchcock) e do divertido “Jogue a Mamãe do Trem” (de Danny DeVito). Isto é, para evitar suspeitas, cada um se compromete a matar o chefe do outro.

O problema desse “crime perfeito” é a completa inépcia dos protagonistas para arquitetar um assassinato. É nesse momento que entra em cena o “consultor” Dean ‘MF’ Jones (participação especial de Jamie Foxx), cujo nome completo é um palavrão impronunciável. Mas, como é de se esperar, muito pouco vai dar certo para a trupe de trapalhões.

A combinação dos diferentes estilos de Bateman, Day e Sudeikis equilibra o humor da produção que, somado às divertidas interpretações de Spacey, Aniston e Farrell, dão vigor à comédia. Embora em muitas cenas os diálogos descambem em baixarias, especialmente aquelas proferidas por Julia e Bobby, no fim, tudo se torna mais leve pela total falta de escrúpulos de que os atores dotam os seus personagens.

Uma curiosidade da produção é a máxima proferida por Kurt: “Você não pode vencer uma maratona sem colocar band-aids nos bicos do peito”. A princípio sem sentido, mesmo dentro do filme, quem assistiu aos episódios da série de TV americana “The Office” poderá entender a referência ao personagem Andy Bernard (Ed Helms), quando disputou uma maluca maratona pró-combate à raiva.

“Quero Matar meu Chefe”, enfim, mostra-se uma comédia ágil, moldada a partir de referências e da certeza de que seus intérpretes são espontâneos o suficiente para potencializar o riso. O diretor Seth Gordon acerta na condução do elenco, à vontade para perder completamente o senso do ridículo.

(Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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