ESTREIA-Malick busca respostas existenciais em "Árvore da Vida"

quinta-feira, 11 de agosto de 2011 15:21 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em sua interrogação cósmica sobre a origem do universo e o sentido da vida humana, "A Árvore da Vida", vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2011, nunca esconde suas altas ambições.

Não há nada de se estranhar, recordando-se que o diretor Terrence Malick ("Além da Linha Vermelha") é formado em Filosofia pela Harvard e lecionou essa matéria no não menos prestigiado MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachussets.

É um tipo de pensamento filosófico, portanto, que guia este roteiro, assinado como sempre por Malick, que situa em seu centro o personagem Jack (interpretado na maturidade por Sean Penn e na adolescência pelo excelente Hunter McCracken).

A narrativa, em boa parte, é uma viagem às memórias de Jack, que visitam particularmente a infância passada em Waco, Texas - não por acaso, o local onde cresceu o diretor, embora haja controvérsias se ele nasceu mesmo lá ou em Ottawa, Illinois.

Nessa infância, os protagonistas são a mãe (Jessica Chastain), o pai (Brad Pitt) e os irmãos menores, um dos quais morreu adolescente.

Essa morte do irmão assombra Jack e é um dos motores a levá-lo a uma indagação maior sobre o sentido do mundo e a existência de Deus, pois é certamente num mundo impregnado de cristianismo que ele cresceu.

Mas, dentro de seu coração, lutam os dois caminhos que o filme aponta desde o começo como as margens do curso da vida: o caminho da graça (encarnado pela mãe) e o da natureza (simbolizado pelo pai).

Este microcosmo representado por esta família, que é um protótipo da América dos anos 50, mas não só - pode ser vista como um modelo de família de qualquer parte do mundo ocidental - é inserido no macrocosmo do mundo natural.

Assim, as imagens de "A Árvore da Vida" levam não só Jack como todos os espectadores a visualizarem uma viagem no tempo, à origem da vida no planeta, com direito à passagem dos dinossauros (que são os melhores e mais vívidos que o cinema já mostrou, superando com muitas vantagens os de "O Parque dos Dinossauros" de Steven Spielberg).   Continuação...

 
Produtores Pohlad e Gardner recebem a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2001 por "Á Árvore da Vida", do diretor Terrence Malick. 22/05/2011 REUTERS/Jean-Paul Pelissier