ESTREIA-"Dylan Dog" explora mundo bizarro de personagem de HQ

quinta-feira, 11 de agosto de 2011 11:11 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - É difícil a vida dos diretores que decidem adaptar para o cinema personagens celebrizados pelas histórias em quadrinhos. Se são extremamente fieis ao personagem, podem desagradar aos espectadores comuns, que esperam ver apenas um bom filme e não uma prova de reverência à legião de seguidores da obra original.

Se ousarem recriar o personagem, correm o risco de serem fulminados pelos fãs, inconformados com o excesso de liberdade tomada.

No caso de "Dylan Dog e as criaturas da noite", trazido às telas diretamente do gibi criado pelo italiano Sanzio Sclavi, o diretor Kevin Munroe corre o risco de desagradar a gregos e troianos. O herói representado pelo ator Brandon Routh não respeita as características do personagem e o resultado final não se traduz em uma boa sessão de cinema.

Dylan Dog, criado nos anos 1980, é objeto de culto na Itália. Suas histórias, em preto e branco, característica marcante dos fumetti (gibis) italianos, ganham todos os anos novas edições na Itália e fazem relativo sucesso editorial nos Estados Unidos e até no Brasil, onde é disputado por colecionadores que mantêm fóruns de discussão na internet.

As aventuras do detetive do pesadelo, como é conhecido, têm um pé no realismo fantástico e outro, no terror explícito, com uma boa dose de humor negro. Algumas dessas características são preservadas no filme, mas o resultado final fica aquém das expectativas.

As criaturas da noite citadas no título são vampiros, lobisomens, zumbis e toda sorte de mortos-vivos que circulam livremente pelas ruas de Nova Orleans, como uma espécie de habitantes particulares.

Por um pacto firmado no passado, não atacam os humanos e se mantêm discretos trabalhando em atividades normais como restaurantes, açougues e não tão normais assim, como supermercados para revenda de órgãos humanos usados para zumbis necessitados de peças sobressalentes.

Dylan, como é explicado para os não aficionados, circula entre esses seres como uma figura de respeito. No passado ele era uma espécie de guardião que fazia a ponte entre os dois mundos e os mantinha em equilíbrio.

Mas, na Nova Orleans de hoje, ele vive uma espécie de aposentadoria, cuidando apenas de casos comuns, como investigações de adultério, com a ajuda de Marcus (Sam Huntington), encarregado das fotos comprometedoras que comprovam as puladas de cerca das esposas de seus clientes.   Continuação...