Feminista Gloria Steinem quer inspirar jovens com documentário

sexta-feira, 12 de agosto de 2011 10:35 BRT
 

Por Jill Serjeant

LOS ANGELES (Reuters) - Gloria Steinem pode não estar mais no noticiário como na década de 1970, no auge do movimento pela emancipação feminina. Mas ela espera que um documentário de TV sobre os seus 40 anos de ativismo inspirem as novas gerações a manterem a luta, porque, segundo ela, ainda há muito por fazer.

"Espero que (as mulheres) olhem a distância que percorremos em 40 anos e digam a si mesmas: aqui estamos agora, onde queremos estar daqui a 40 anos? - e também que consigam fazer isso", disse ela.

"Se eu consigo, elas certamente conseguem. Aprendemos com as histórias das outras, então cada uma de nós precisa tentar contar nossa história honestamente, se não a mídia nos deixa com a sensação de que as pessoas que fazem alguma coisa são diferentes de nós", disse Steinem à Reuters.

O documentário "Gloria: In Her Own Words" ("Gloria: nas suas próprias palavras") traça um perfil da jornalista e ativista de 77 anos, usando antigos trechos de noticiários, entrevistas de arquivo e reflexões inéditas dela. O programa estreia na segunda-feira no canal a cabo HBO, e será reprisado outras vezes até o fim do mês.

O documentário revela, por exemplo, que Steinem adorava o sapateado e que usava óculos escuros de aviador para se esconder detrás deles. Ela conta que não se arrependeu por não ter filhos, e que sofreu de depressão e perda da autoestima na década de 1990, época em que também teve um câncer de mama.

Mas Steinem disse que o documentário não representa uma passagem no bastão do feminismo, e alerta que a vida dela não serve para representar toda a história do movimento ("porque nenhuma vida individualmente é capaz disso", afirmou à Reuters).

Não por acaso, ela rejeita firmemente a noção de que o feminismo perdeu importância no século 21, ou que essa palavra tenha se desgastado. Avalia que ainda faltam mais 60 anos até que os direitos femininos sejam plenamente absorvidos à cultura ocidental, seguindo a tendência de outros movimentos - o sufrágio feminino ou a abolição da escravatura, por exemplo - que levaram mais ou menos um século para serem aceitos.

"Basta perguntar (às mulheres) sobre a sua vida. Elas se sentem tão seguras nas ruas quanto os homens? Os seus maridos estão criando seus filhos tanto quanto elas? Elas sentem que a idade é a mesma penalidade para elas do que para os homens," disse a ativista a Reuters.

Hoje em dia, Steinem mantém uma agitada agenda de palestras, eventos e viagens para discutir questões como tráfico sexual, mutilação genital feminina e discriminação por idade.