Nova geração do tango argentino se volta para temática social

quarta-feira, 17 de agosto de 2011 15:18 BRT
 

Por Luis Andres Henao

BUENOS AIRES (Reuters Life!) - Osvaldo Pugliese, um dos compositores mais famosos da Argentina, costumava dizer que o tango só começa a fazer sentido depois dos 30 anos. Mas uma jovem geração de músicos e compositores vêm provando o contrário.

Afastando-se dos ritmos puristas e das fusões eletrônicas do final dos anos 1990, a nova geração lota os locais que tocam composições com temas contemporâneos que tentam levar o tango de volta a um lugar de destaque na cena nacional.

"Eles estão recuperando a história do tango, não apenas a idade dourada, mas suas origens mais arenosas", disse o historiador Sergio Pujol, autor de "Canções Argentinas: 1910-2010".

"Eles estão se voltando para composições que falam de uma realidade social mais complexa e tosca. É uma via interessante e menos percorrida."

Em vez de um homem velho de terno, chapéu e cabelo engomado, Julian Bruno, de 27 anos, subiu ao palco recentemente vestindo camiseta, o cabelo preso num rabo de cavalo, parecendo mais um integrante de uma banda grunge do que um cantor de tango.

"É um mito que o tango só faz sentido quando você é mais velho", disse Bruno, cantor da Ciudad Baigon Orchestra, com 12 integrantes. "Estamos fazendo o novo tango falar sobre a realidade de hoje, usando uma linguagem atual."

O tango - nascido no século 19 no porto de Buenos Aires e dançado nas madrugadas depois do trabalho pelas prostitutas e pelos operários das docas - originalmente falava de uma realidade mais tosca, usando com freqüência uma gíria chamada "lunfardo".

A origem mais tosca do tango e a consciência social ficaram escondidas quando esse tipo de música viveu sua idade de ouro nos anos 1940 e as grandes orquestras tocavam versões sentimentais e comerciais.   Continuação...

 
O canto de tango Julian Bruno, da Ciudad Baigon Orchestra, em show feito em Buenos Aires. Foto de Arquivo. 05/082011 REUTERS/Marcos Brindicci