Cartunista do Rio inspira de longe as rebeliões árabes

segunda-feira, 29 de agosto de 2011 13:20 BRT
 

Por Stuart Grudgings

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Suas charges são afiadas, ousadas e um espinho na carne para líderes autoritários cambaleantes do mundo árabe -- e um presente para os manifestantes que protestam. Tudo isso tendo como improvável origem um apartamento no Rio de Janeiro.

Carlos Latuff, um esquerdista de 42 anos cujo único vínculo com o Oriente Médio é um avô libanês que ele nunca conheceu, se tornou um herói da "Primavera Árabe" com desenhos satíricos que ajudaram a inspirar as revoltas.

Ele só precisou de sua caneta, uma paixão pelas lutas da região e uma conta no Twitter, que ele utiliza para publicar suas charges.

Começando com o levante na Tunísia em dezembro, o trabalho de Latuff vem sendo baixado na Internet por líderes dos protestos e estampado em camisetas usadas em protestos do Egito à Líbia e ao Barein, tornando-se um emblema satírico da indignação popular.

Em uma delas, uma bota de cano longo representando o governo da Síria pisa em uma mão onde está escrito "liberdade". Em outra, um homem representando a Justiça sob o governo militar do Egito segura uma balança cheia de manifestantes presos.

Latuff disse que soube pela primeira vez que suas charges estavam tendo impacto quando, ao assistir à TV, viu-os estampados em cartazes no momento em que as manifestações se espalhavam pelo Egito, em 25 de janeiro, somente dois dias depois de ele as ter distribuído na Internet.

"Aquilo me deu a certeza de que meu trabalho era útil", disse Latuff à Reuters. "Não são as plataformas sociais que fazem as revoluções. É o povo. Twitter, Facebook, assim como uma câmera ou coquetéis molotov, são apenas instrumentos, equipamentos."

Latuff não cobra por seu trabalho e diz que doa os desenhos para destacar as injustiças e mostrar sua solidariedade contra o autoritarismo mundialmente.   Continuação...

 
Cartunista Carlos Latuff finaliza uma charge após entrevista com a Reuters no Rio de Janeiro. 26/08/2011 REUTERS/Sergio Moraes