ESTREIA-"O Homem do Futuro" combina ficção e comédia em romance

quinta-feira, 1 de setembro de 2011 10:18 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Wagner Moura se tornou conhecido nos últimos anos por interpretar tipos fortes, como o Capitão Nascimento, que transcendeu o cinema e hoje é um ícone da cultura pop brasileira. Embora o ator tenha flertado com a comédia, dando toques cômicos a seus personagens, até agora nunca havia feito uma comédia pura, como é o caso de "O Homem do Futuro".

No filme, escrito e dirigido por Claudio Torres ("A Mulher Invisível", "Redentor"), Wagner é Zero, um cientista um tanto infeliz, um tanto amargurado, que, após anos de solidão, por acaso volta ao passado, a um momento crucial de sua vida que o consumiu por duas décadas, quando foi humilhado por seu grande amor, numa festa da escola.

A trama é uma fantasia que deve ter cruzado a cabeça de qualquer pessoa: o que fazer com a chance de voltar ao passado para mudar a sua vida?

Torres assumidamente busca inspiração em clássicos do escapismo, como os filmes da série "De Volta Para o Futuro" e o romance "A Máquina do Tempo", de H. G. Wells, ou o conto "O Som do Trovão", do americano Ray Bradbury. A tudo isso ele dá um colorido que, se não é novo, ao menos mostra um frescor -- especialmente pela interpretação para lá de inspirada de Wagner, que também canta três canções da trilha.

A possibilidade é exatamente de mudar seu destino e não levar um fora de sua garota, Helena (Alinne Moraes, que está na novela "O Astro"). Porém, como mandam as regras da ciência no cinema, uma ação causa uma reação, e a mudança no passado, por menor que seja, transforma todo o futuro. Quando reencontramos o protagonista no futuro (o presente atual) a vida dele não é lá como ele pensou que seria se casasse com Helena.

As idas e vindas no tempo permitem a Wagner e seus outros colegas de elenco -- que incluem Gabriel Braga Nunes (num vilão bem menos perigoso que seu Léo, de "Insensato Coração"), Maria Luisa Mendonça, como uma empresária, e Fernando Ceylão, o único amigo de Zero -- criar três versões de um mesmo personagem.

Alguns expectadores mais afoitos podem até buscar alguma espécie de leitura psicanalítica dessa multiplicação dos personagens, mas isso não é necessário, porque a chave do filme está mesmo na comédia, no caminho que a trama toma a cada mudança de tempo.

Em "O homem do futuro", Torres deixa de lado o cinismo de sua estreia em longa, "Redentor" (2004), no qual fazia uma crítica ácida à sociedade brasileira contemporânea, e está mais próximo da comédia e do romance, como em seu trabalho anterior, "A Mulher Invisível" (2009). A trama aqui funciona muito bem, especialmente por conta de Wagner, que é capaz de criar três versões muito distintas do mesmo Zero.

Entre Helena e Zero há uma falta de sincronia amorosa, e nisso, todo o filme pode ser visto como uma grande metáfora para o que querem as mulheres e os homens.   Continuação...