Curadores fazem escolhas difíceis no museu do 11 de Setembro

terça-feira, 6 de setembro de 2011 19:23 BRT
 

Por Jonathan Allen

NOVA YORK (Reuters) - Os curadores do museu que lembrará os atentados de 11 de setembro de 2001, a ser inaugurado no lugar onde existiam as torres gêmeas do World Trade Center, precisam fazer escolhas difíceis para conseguir transmitir o horror daquele dia sem entrar no terreno da morbidez.

"Não estamos aqui para traumatizar nossos visitantes", disse Alice Greenwald, diretora do Museu Memorial Nacional do 11 de Setembro, a ser inaugurado no subsolo do "Marco Zero" no 11o aniversário do atentado, daqui a um ano.

"Artefatos monumentais são uma coisa, mas também temos uma história humana para contar", disse Greenwald.

Alguns dos itens mais perturbadores do acervo estão sendo reservados para serem expostos separadamente do espaço principal, em alcovas especiais que o visitante terá a opção de ver ou não.

É lá que os curadores do museu colocarão materiais como as imagens das pessoas se jogando dos arranha-céus em chamas, depois que os edifícios foram atingidos por aviões sequestrados por militantes da Al Qaeda, ou a gravação da controlada voz de uma comissária de bordo em um dos aviões, momentos antes da sua morte.

Decidir-se por expor exemplos dos dolorosos momentos finais de algumas das vítimas, mas sem causar mais tristeza para quem está vivo, foi um dos dilemas mais duros que os curadores encontraram para montar o tributo aos quase 3.000 mortos.

Para quem se dedica a evocar a memória de guerras e atrocidades, é um problema familiar.

"Não somos apenas um museu de história, somos também uma instituição memorial, então a tensão que acontece entre rememoração e documentação é um ponto contencioso", disse Greenwald numa entrevista no escritório do museu, com vista para as obras das futuras instalações, que ocuparão sete andares por baixo do terreno do World Trade Center.   Continuação...

 
Capacete de bombeiro que fará parte do Museu Memorial Nacional de 11 de Setembro, em foto de agosto de 2011. O museu será inaugurado no subsolo do "Marco Zero" no 11o aniversário do atentado, daqui a um ano. 22/08/2011 REUTERS/Lucas Jackson