ESTREIA-Casal faz viagem interior em "Além da Estrada"

quinta-feira, 8 de setembro de 2011 10:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O que é o Uruguai, país aqui ao lado sobre o qual nem sabemos muito? O premiado "Além da Estrada", de Charly Braun, joga luz sobre o ilustre desconhecido, fugindo do polo de Montevidéu e se embrenhando pelo interior --uma metáfora que também pode ser usada para os personagens Santiago (Esteban Feune de Colombi) e Juliette (Jill Mulleady), que buscam dentro de si suas identidades em meio a uma viagem pelas estradas.

Como todo bom filme de estrada, o destino é o que menos importa. A jornada em si reflete a jornada de Santiago e Juliette --jovens em busca de um rumo na vida. Os lugares por onde passam são fatores que somam não apenas pessoas novas, mas também descobertas sobre si. Eles se conhecem quando Santiago lhe oferece uma carona.

Os lugares que visitam são paradisíacos. Neles, os habitantes estão em comunhão com a natureza. A relação dos personagens com o seu habitat, algo um tanto cool e luxuoso, mas sem ostentação --uma vida de sonhos-- faz lembrar o ambiente e os personagens de "Beleza Roubada", de Bernardo Bertolucci, que se passa na região da Toscana.

O pintor e bon vivant Hugo (Hugo Arias), tio de Santiago, é quem hospeda o casal. Juliette está em busca de seu namorado, uma espécie de hippie que está vivendo numa comunidade que prega paz e amor.

Nesse lugar, os personagens são um tanto diferentes --mas não causam estranhamento no filme. São um interessante contraponto a uma vida abastada da qual temos uma ideia na vernissage de Hugo, quando Santiago reencontra Manuela (Guilhermina Guinle).

Entrecortando as cenas e os diálogos entre o casal, estão momentos documentais do filme, nos quais Santiago e Juliette interagem com moradores, camponeses e até a top model Naomi Campbell, que estava de passagem pela região onde o filme era rodado e topou participar.

O desafio de Braun, que também assina o roteiro deste seu primeiro longa, é costurar, de forma orgânica, as cenas de ficção e as de teor documental.

A câmera leve, quase despreocupada, que registra os personagens sabe bem como os emoldurar na paisagem local sem transformá-la na razão de ser do filme. A trilha sonora conta com Radiohead, Sigur Ros e Donovan, entre outros.

Além disso, Braun levou o prêmio de direção no Festival do Rio no ano passado e, em 2011, o longa levou o prêmio de melhor filme no I Festival Lume de Cinema internacional, e o do público no festival de cinema de São Petersburgo (Rússia).   Continuação...