CORRECÃO-ESTREIA-Premiado, "Riscado" mescla ficção e realidade

quinta-feira, 8 de setembro de 2011 15:43 BRT
 

(Corrige terceiro parágrafo para esclarecer que a atriz Karine Telles não foi dispensada pela produção do filme Sex Comedy) SÃO PAULO (Reuters) - Realidade e ficção dialogam no premiado "Riscado", que estreia no país após uma longa carreira por festivais, o que rendeu a sua protagonista e ao filme diversos prêmios, como no Festival do Rio do ano passado (atriz) e Gramado deste ano (direção, atriz, roteiro, trilha sonora e Prêmio da Crítica).

É um filme feito de paixão e entrega, tanto por sua protagonista, Karine Telles, quanto por seu diretor, Gustavo Pizzi, que são casados e também assinam o roteiro.

Há muito da experiência de Karine como atriz no filme. "Riscado" conta algumas histórias, algumas inspiradas em fatos reais e outras completamente fictícias sobre uma garota que tenta se estabelecer como atriz. Pouco importa o quão há de real no meio da trama do filme de Pizzi, porque o que conta é o que está na tela.

Karine é Bianca, atriz que consegue se sustentar às custas de trabalhos pouco prestigiosos, mas que ela faz com empenho: telegramas animados, animação de festas, distribuição de panfletos. O teatro é a paixão, é o lado nobre do trabalho. Grosso modo, ela se "vende" para o sistema para bancar aquilo que ama, o teatro.

Quando ela consegue uma vaga num filme feito no Brasil e dirigido por um francês ela tem a chance da sua vida. Poderá mostrar o seu talento, provar a que veio, e esfregar na cara de parentes e conhecidos invejosos que ela, sim, pode vencer na vida.

Vem então a preparação. Para se entregar ao novo trabalho, ela abandona os outros, pede demissão, corre risco de se endividar, mas está feliz porque faz o que quer, o que sempre acreditou. A entrega é tanta que fatos de sua vida são incorporados ao roteiro do tal filme franco-brasileiro. Bianca está animada e seu dia-a-dia se resume a respirar o novo trabalho.

Por isso, quando a puxada de tapete chega, torna-se algo tão drástico. Difícil não se identificar com a personagem --e nem é necessário ser atriz, ou trabalhar com cinema. Karine empresta a dignidade que a personagem precisa, mas, às vezes, falta um respiro no filme. É Bianca demais, o tempo todo em cena.

Não por acaso, a protagonista é a personagem delineada da trama; aos outros, faltam um tanto de densidade e de humanidade para que se sejam pessoas e não apenas personagens.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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