Exposição sobre o 11 de Setembro sugere mais do que mostra

sexta-feira, 9 de setembro de 2011 19:39 BRT
 

Por Basil Katz

NOVA YORK (Reuters) - Os atentados de 11 de setembro de 2001 foram o desastre mais testemunhado a história, e talvez por isso mesmo uma nova exposição sobre o tema não tenha obras de arte, fotos, ou músicas retratando aquele fatídico dia.

As obras na exposição "11 de Setembro", que será inaugurada no domingo no museu MoMA PS1, em Nova York, fazem referência às torres gêmeas do World Trade Center e ao céu azul e ensolarado daquele dia, mas cabe ao público estabelecer suas próprias conexões com os atentados.

Na verdade, a maioria das cerca de 70 obras incluídas na exposição datam de antes de 2001 -- algumas são da década de 1960. Selecionadas entre uma ampla variedade de artistas contemporâneos, elas pretendem, sem falar explicitamente daquele dia, evocar as lembranças e emoções das pessoas, dez anos depois do ataque que matou cerca de 3.000 pessoas.

"Havia certas coisas que não queríamos ver, acho que em parte por causa do tanto que fomos obrigados a ver", disse o curador Peter Eleey, descrevendo o desafio de montar uma exposição de arte sobre uma tragédia tão bem documentada.

A torrente de imagens do 11 de Setembro, disse Eleey, "complicou dramaticamente a forma como a arte poderia reagir". Por isso ele escolheu essa abordagem indireta.

O subsolo, por exemplo, tem uma gravação de áudio feita em 1999 pelo artista Stephen Vitello, chamada "Gravações do World Trade Center: Ventos Após o Furacão Floyd". Ouvem-se sombrios rangidos e outros ruídos dos arranha-céus ao serem atingidos pelos ventos de um furacão.

Uma obra mais recente, feita em 2008 pelo artista Roger Hiorns, consiste em poeira prateada, obtida de uma turbina de avião e espalhada pelo chão de forma aparentemente aleatória.

Uma foto de William Eggleston mostrando uma mão mexendo numa bebida gelada e colorida na ensolarada cabine de um avião pode trazer à mente a forma como um voo comum se transformou em um pesadelo infernal. A foto, "Sem Título (Copo no Avião)" é da década de 1960.

A exposição inclui também uma instalação de luzes de James Turrell e obras dos artistas norte-americanos Diane Arbus, Alex Katz e Ellsworth Kelly. Ela fica em cartaz até 9 de janeiro no PS1, filial do MoMA especializada em arte contemporânea, no Queens.