Família Murdoch sofre pressão em novas frentes após escutas

terça-feira, 13 de setembro de 2011 18:23 BRT
 

Por Kate Holton

LONDRES (Reuters) - Parlamentares britânicos disseram nesta terça-feira que irão voltar a convocar James Murdoch para prestar depoimento sobre o escândalo de escutas telefônicas envolvendo jornalistas do grupo News Corp, e sócios norte-americanos da empresa aumentaram a pressão em uma disputa judicial contra os controladores.

Os dois fatos reacendem o prolongado caso que já afetou as instituições britânicas e ameaça a influência política outrora intocável do magnata Rupert Murdoch.

Políticos britânicos disseram que irão convocar James Murdoch, filho do fundador do grupo, provavelmente em novembro, depois de funcionários do grupo terem aparentemente contrariado as declarações dele de que tinha apenas conhecimento limitado da prática de espionagem telefônica.

James Murdoch, presidente do braço da News Corp para jornais na Grã-Bretanha, depôs durante quase três horas, em julho, a uma comissão parlamentar que comanda o inquérito sobre o caso. Rupert Murdoch também falou à comissão.

O escândalo decorre da revelação de que o popular tabloide News of the World, tirado de circulação depois do caso, espionou as caixas postais telefônicas de centenas de pessoas.

James Murdoch inicialmente disse que as escutas haviam sido iniciativa de um repórter insubordinado, mas dois altos funcionários do grupo disseram ter alertado o chefe em 2008 de que o problema era disseminado.

Nos EUA, acionistas ampliaram sua queixa judicial contra a empresa, enquanto a Austrália -- país natal da família Murdoch -- se prepara para um amplo inquérito sobre a imprensa no país por causa do escândalo.

O novo processo nos EUA alega que a direção da News Corp sabia há mais de dez anos que subsidiárias norte-americanas da empresa espionavam ilegalmente computadores de seus concorrentes.

A crise já fez a News Corp perder bilhões de dólares no seu valor de mercado, e obrigou a empresa a abdicar de uma proposta de 12 bilhões de dólares pelo controle da operadora de TV BSkyB, além de fechar o News of the World, que tinha 168 anos de idade.

(Reportagem adicional de Tom Hals em Delaware)