Touradas vão acabar na Catalunha, Espanha, por enquanto

quarta-feira, 21 de setembro de 2011 12:03 BRT
 

Por Alice Tozer

BARCELONA, Espanha (Reuters) - Os fãs das touradas gritarão "olé" pela última vez na praça de touros Monumental, de Barcelona, no domingo, antes que a proibição ao esporte entre em vigor na região da Catalunha, no nordeste da Espanha.

A lei regional proibiu no ano passado a tradição secular - que coloca um "matador" armado com uma espada em trajes brilhantes e capa vermelha contra um touro enfurecido -, depois que os catalães assinaram uma petição.

O setor das touradas ainda está convencido de que tem uma chance de derrubar a proibição e trazer na próxima temporada os "toros" de volta para a Catalunha, a única região da Espanha que proibiu o esporte - ou a arte, como seus fãs a enxergam.

"Acho que os políticos vão pensar duas vezes sobre a proibição e a tourada vai continuar. E graças a Deus, porque a Catalunha tem muitos fãs de touradas e em um país democrático eles deveriam poder ir a uma tourada", disse Moisés Fraile, de 64 anos, proprietário do El Pilar, que fornecerá os touros para o espetáculo de domingo.

Cerca de 20.000 espectadores devem lotar o Monumental, a única praça de touros ainda em atividade na Catalunha. Os ingressos estão esgotados para a corrida de domingo, da qual tomará parte o matador madrilenho José Tomás, que se aposentou em 2002, mas faz raras aparições desde 2007.

"Há vários catalisadores que poderiam fazer com que a proibição fosse derrubada", disse Paco March, crítico de touradas do La Vanguardia, o principal jornal da Catalunha.

March diz que o conservador Partido Popular - uma das principais forças políticas da Espanha - está lutando contra a proibição, tomando como referência a Constituição, e a Federação das Touradas da Catalunha está coletando assinaturas para entrar com uma petição no Congresso espanhol.

Os problemas econômicos da Espanha também poderiam ser um fator decisivo, já que os governos regionais como o da Catalunha estão sob enorme pressão para reduzir gastos e ajudar o país a cortar seu déficit público, enquanto tentam se esquivar da crise da dívida da zona do euro.   Continuação...