Julgamento do médico de Jackson começa com fotos macabras

terça-feira, 27 de setembro de 2011 19:14 BRT
 

Por Alex Dobuzinskis

LOS ANGELES (Reuters) - Fotos macabras de Michael Jackson morto num leito hospitalar, justapostas a uma imagem da véspera, em que o cantor aparece cantando em um ensaio, marcaram nesta terça-feira de forma emotiva o primeiro dia do julgamento do médico particular do astro, acusado de homicídio culposo.

O promotor David Walgren disse nas alegações iniciais que o cantor "literalmente colocou sua vida nas mãos do doutor Conrad Murray", e que essa "confiança equivocada" foi fatal.

Já os advogados de Murray alegaram que Jackson "causou sua própria morte" ao tomar medicações adicionais às que o médico administrou. "Ele morreu tão rapidamente, tão instantaneamente, que não teve nem tempo de fechar os olhos", afirmou o advogado Ed Chernoff.

Jackson morreu em junho de 2009, aos 50 anos, por causa de uma parada cardíaca decorrente de uma overdose de sedativos e anestésicos. Murray declarou-se inocente, mas pode ser condenado a até quatro anos de prisão se o júri considerar que ele foi negligente com seu paciente. O julgamento deve durar de quatro a seis semanas.

O cardiologista do Texas, que recebia 150 mil dólares por mês para cuidar de Jackson durante os preparativos dele para uma temporada de shows, chorou durante as alegações iniciais nesta terça-feira.

Murray admitiu ter dado a Jackson uma dose do violento anestésico propofol, para ajudá-lo a dormir. Mas Chernoff disse aos jurados que o médico estava tentando afastar o cantor da sua dependência pela droga, que Jackson dizia ser o seu "leite."

Cansado dos ensaios e sob pressão para concluir os preparativos para os shows que faria em Londres, Jackson tomou oito comprimidos do ansiolítico lorazepam para tentar dormir, na madrugada de 25 de junho de 2009, na mansão de Los Angeles onde vivia.

"Acreditamos que as provas irão demonstrar que ..., quando o doutor Murray saiu do quarto, o próprio Michael Jackson se administrou uma dose de propofol que, com o lorazepam, criou uma tempestade perfeita dentro do seu organismo, que o matou imediatamente", disse Chernoff.   Continuação...

 
Conrad Murray (centro), médico particular do cantor Michael Jackson, no primeiro dia do julgamento sobre a morte do astro pop, em Los Angeles, nos Estados Unidos, nesta terça-feira. 27/09/2011 REUTERS/Al Seib/Pool