3 de Outubro de 2011 / às 11:59 / em 6 anos

Amanda Knox chora, alega inocência e pede liberdade

Por Deepa Babington

PERUGIA, Itália (Reuters) - A estudante norte-americana Amanda Knox fez um apelo chorando nesta segunda-feira para que seja inocentada do assassinato da colega de quarto britânica durante um jogo erótico brutal, afirmando que ela estava pagando com sua vida por um crime que não cometeu.

“Eu sou a mesma pessoa que era quatro anos atrás”, disse Knox, visivelmente tremendo e lutando para conter as lágrimas.

“Eu perdi uma amiga, da forma mais brutal e inexplicável possível. Minha fé absoluta nas autoridades policiais foi traída, tive que enfrentar acusações totalmente injustas... e sem fundamentos. Estou pagando com minha vida por coisas que não cometi.”

A estudante nascida em Seattle e o namorado italiano dela na época, Raffaele Sollecito, lutam contra o veredicto de 2009 que os declarou culpados do esfaqueamento até à morte da estudante de intercâmbio da Universidade Leeds Meredith Kercher, durante um ataque sexual brutal e estimulado pelo uso de drogas.

O painel de dois profissionais e seis juízes-assistentes se retirou para considerar o veredicto imediatamente após o apelo final de Knox. A decisão é esperada para mais tarde nesta segunda-feira.

São grandes as expectativas nos Estados Unidos de que a estudante de 24 anos sairá livre da prisão de Perugia, onde ela já passou quase quatro anos, depois que uma revisão forense colocou profundas dúvidas na evidência de DNA usada para condenar Knox e Sollecito.

O italiano, de 27 anos, em seu próprio apelo final, afirmou em voz hesitante: “Eu sou um Sr. Ninguém, mas agora eles querem que o Sr. Ninguém passe o resto da vida na cadeia.”

O julgamento da apelação chamou atenção dos dois lados do Atlântico, quatro anos após o corpo de Kercher, de 21 anos, ter sido encontrado em uma piscina de sangue na cidade universitária. O corpo foi encontrado com mais de 40 ferimentos e com a garganta cortada.

Segundo a promotoria, ela teria sido esfaqueada até à morte ao resistir às tentativas de três pessoas de envolverem-na em uma orgia.

Knox e Sollecito foram presos dias após o assassinato, mas vêm se declarando inocentes desde então. Um terceiro homem, o traficante de drogas da Costa do Marfim Rudy Guede, foi preso por seu papel no assassinato.

A defesa argumenta que nenhum motivo ou evidência claros ligando os réus ao crime surgiu, e alega que a estudante norte-americana é inocente. A promotoria, por sua vez, diz que há muitas evidências ligando a estudante ao crime, incluindo a falsa acusação contra um atendente de bar e um roubo que ela e Sollecito supostamente teriam encenado no apartamento para desviar a polícia durante as investigações.

Knox, que visivelmente perdeu peso na cadeia e quase desabou aos prantos no início da apelação nesta segunda, disse à corte que “quatro anos atrás eu nem sabia o que tragédia era. Era algo que eu via na TV. Não fazia parte de mim... Eu não tenho desprezo pela vida”.

“Eu não fiz as coisas que disseram que eu fiz. Eu não matei, estuprei ou roubei.”

Ela ergueu a voz para que se sobressaísse entre as lágrimas. “Eu insisto na verdade, eu insisto após quatro anos desesperadores em nossa inocência... eu quero ir para casa. Eu quero voltar para minha vida. Eu não quero ser punida. Eu não quero ser privada de minha vida por algo que não fiz, porque eu sou inocente.”

A mãe, a irmã e o irmão da italiana estão indo para Perugia para o veredicto.

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